sexta-feira, 3 de abril de 2015

Querida, rompe a multidão!

Assim como aquela mulher do fluxo de sangue, rompa a multidão...



A mulher sem nome


Há muito tempo atrás, existiu uma mulher dona de uma história emocionante e singular. Vejamos por que essa mulher tornou-se um exemplo de superação, de força, de perseverança e de esperança. Em primeiro lugar, ela era MULHER, não que isto seja algum problema, não seria para mim e nem para você, mas quero lhe dizer como vivia uma mulher naquela época.

Na época em que viveu o nosso Jesus, as mulheres eram tratadas severamente, não se sabe a razão para tanta hostilidade, tomamos como exemplo o referido fato: O fluxo de Sangue.

Sabemos que, todos os meses, normalmente a mulher passa pelo período menstrual, e durante esse período comum e corriqueiro, ela era obrigada a ficar sozinha e longe de parentes e amigos, de toda a sociedade. Mas, o que poderia se fazer a uma mulher que sofria de uma hemorragia a 12 anos? Será mesmo que essa norma se aplicaria em uma pessoa com tal doença? A resposta é sim. Até mesmo outros doentes como leprosos, também eram exilados e considerados impuros.

A Bíblia não nos diz o nome dela.

Sabemos o nome de reis, de discípulos, de governantes, de sacerdotes. Mas aquela mulher, cuja dor atravessou doze anos, permanece anônima.

Ela entra na história apenas como “a mulher que tinha um fluxo de sangue”.

Na sociedade em que viveu, isso não era apenas um problema físico. Era também uma condenação social e religiosa. A lei ritual da época considerava o fluxo de sangue uma condição de impureza. Isso significava que aquela mulher era vista como alguém que contaminava tudo o que tocava.

Ela não podia participar plenamente da vida comunitária.
Não podia viver a religião como os outros.
Não podia se aproximar livremente das pessoas.

Na prática, sua condição a empurrava para uma vida de isolamento.

O texto bíblico diz que ela sofria havia doze anos. Doze anos não são apenas um período médico. São anos de solidão, vergonha e desgaste. Ela havia procurado médicos, gastado tudo o que tinha e, ainda assim, continuava doente.

Mas talvez o sofrimento maior não fosse apenas o corpo.
Era a forma como a sociedade olhava para ela.

Porque rotular alguém como impuro também é uma forma de poder. É uma forma de controlar corpos e de definir quem pertence e quem deve ficar à margem.

Dizer que alguém é impuro não apenas descreve uma condição.
Isso organiza a exclusão.

Mantê-la afastada era conveniente.
Mantê-la invisível era eficaz.

Se ela permanecesse distante, ninguém precisaria confrontar sua dor.

 "Quando uma mulher tiver fluxo de sangue que sai do corpo, a impureza da sua mens­truação durará sete dias, e quem nela tocar ficará impuro até a tarde."
Levítico 15:19 
"Ou, quando tocar a imundícia de um homem, seja qualquer que for a sua imundícia, com que se faça imundo, e lhe for oculto, e o souber depois, será culpado"
Levítico 5:3 
Nota-se que, a mulher seria imensamente corajosa para sair de sua condenação perpétua. Coragem essa decorrente do fato de que além de estar com o fluxo de sangue, e por isso ter que estar afastada e ainda ser considerada imunda, ainda subsistia o fato de que ela tocaria ou apenas se aproximaria de alguém a sair de seu confinamento. Então vemos aí inicialmente duas situações impeditivas/proibitivas para ela, que a poderia ter levado a morte. A) Ela estava com o fluxo de sangue, deveria se excluir da sociedade (Lv 15:19); B) Ela poderia, ao sair se aproximar de alguém, assim sendo tornaria "imundo" assim como ela quem a tocasse. (Lv 5:3)
Vemos a condição inicial da mulher do fluxo de sangue. Condição de pessoa discriminada, que inferiorizava a mulher e a subjugava. Sem nenhum conhecimento, nem argumentos. Apenas por mero preconceito.

Preconceito, sim, tomamos como exemplo da condição feminina, uma outra mulher, esta era protagonista de uma das mais belas história de Jesus: A mulher samaritana (João 4:1–42).
Jesus não estava preocupado com os ditames preconceituosos de sua época. Ele veio pregar o amor, e veio para romper com preconceitos que limitavam Deus à apenas algumas pessoas. As mulheres ficavam à margem, mas Jesus sempre com amor, acolheu as mais carentes com frases de fraternidade, carinho e sobretudo o amor.
O judeus e os samaritanos se odiavam. Jesus era judeu e encontrou uma mulher samaritana, que além de sofrer preconceito pelos judeus, sofria preconceito por sua condição de mulher, e moralmente, visto que as própria mulheres de sua comunidade a excluíam e ela mesma sentia necessidade em estar longe, era considerada pecadora.

Quando ela encontrou Jesus, estava no poço para pegar água, não era uma hora propícia a este feito, as outras mulheres preferiam naquela hora estar em suas casas, então por isso a mulher sabia que não encontraria ninguém da sociedade, pois pegar água, assim como todos os afazeres domésticos eram exclusividade da mulher, portanto nem mulheres e muito menos homens ela iria encontrar.  
Diferentemente do que planejou, ela encontrou um judeu: Jesus. Não sabia ela que este, não fazia acepção de pessoas e nem tampouco descriminava. Ele a surpreendeu, tratando-a gentilmente, oferecendo a água da fonte da vida. Ofereceu o perdão e a vida eterna.

Assim podemos entender que Jesus jamais descriminaria ninguém por qualquer que seja suas diferenças. Ao falar com a mulher samaritana, Jesus correu risco de reprovação por parte dos judeus. Mas, ele não se importou, a alma daquela mulher era extremamente mais importante.

No tocante ao fato da mulher do fluxo de sangue, vemos que a mulher também se arriscou a sofrer essa rejeição por parte de Jesus. Mas, de alguma forma, não evidenciada na bíblia, ela sentiu o amor que Jesus propagava. Ela vivia isolada, não saberia ao certo muitas coisas de sua sociedade mas avistou a multidão e sabia que àquele seria seu último gesto de esperança e fé, ou sairia curada ou condenada a morte. Ela considerou em seu coração que bastava tocar na orla das vestes de Jesus que seria curada.
A fragilidade em que esta mulher se encontrava era outro fator impeditivo, para ela mesma, pois ela padecia dessa enfermidade a muito tempo. Enfrentou todo tipo de possibilidade de curas, mas jamais seria curada, visto que a medicina naquela época era regida por ervas e outros conhecimentos ineficazes, a prática da medicina era impossibilitada pelo fato de não ser possível o estudo em cadáveres, de acordo com a lei. A mulher do fluxo de sangue estava fraca, debilitada, fisicamente e psicologicamente.
Passamos ao texto bíblico que narra a história de nossa mulher corajosa.


“E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: - Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal”

 ( Mc 5:24 -34)

 Quero que perceba que antes mesmo de chegar a multidão que apertava Jesus, a mulher do fluxo de sangue teve que romper com muitos outros fatores, elas também faziam parte dessa multidão.
Listaremos aqui alguns dos elementos participantes dessa multidão que a separava de seu milagre.

A) A Lei que determinava a todas as mulheres que permanecessem afastadas da sociedade até o fim do período menstrual. Ela poderia não encontrar ninguém, e mesmo assim se saísse de sua condenação, já cometeria um grande erro contra a norma posta. - "Quando uma mulher tiver fluxo de sangue que sai do corpo, a impureza da sua mens­truação durará sete dias, e quem nela tocar ficará impuro até a tarde." Levítico 15:19 Ela precisaria de CORAGEM.

B) A sua fragilidade, devido a doença. Característica da própria hemorragia, deixar a pessoa debilitada. E a multidão de pessoas que cercava Jesus, era uma multidão de milhares de pessoas. Não centenas, mas milhares. Ela precisaria de FORÇA.

C) A barreira do medo. O medo da rejeição de Jesus ao saber que ela o teria tocado naquelas condições. O medo da repressão da sociedade. Mas, ela já estava morrendo, tocar em Jesus era a única e última esperança. E ela precisava de exatamente isso, de ESPERANÇA.

D) Ela mesma era uma barreira. Poderia a qualquer momento desistir e se colocar no seu lugar de subjugada. E assim anularia todos os itens anteriores e voltava a dedicar todos os seus dias a sua enfermidade e assim estava sentenciado a si mesma. Ela precisava de DETERMINAÇÃO e PERSEVERANÇA.

E) A condição que lhe foi imposta. O rótulo de "imunda" perante aquela sociedade. Ela poderia ter pensado: "Não sou digna de me aproximar dessas pessoas. Sou imunda!". O seu psicológico estava afetado e havia se tornado uma barreira contra ela. Ela precisava de ÂNIMO.

F) Se infringisse o item "A", ainda havia mais uma barreira que se relacionava com este item. Se ela tocasse em alguém, deixaria a pessoa imunda assim como ela. Então como passaria pela multidão? Sem prejudicar ninguém? Ela precisaria de FÉ.

Aquela mulher uniu CORAGEM, FORÇA, ESPERANÇA, DETERMINAÇÃO, PERSEVERANÇA, ÂNIMO e  FÉ. Rompeu a multidão de preconceitos, normas discriminadoras que destroem a condição da pessoa humana sem nenhum fim social, rompeu com seu medos, com sua dor, com sua fragilidade e com sua condição de inferiorizada. Ela passou por cima de rótulos, sabendo que aquele nome "imunda" não lhe pertencia. Ela rompeu com que ela era antes A MULHER DO FLUXO DE SANGUE, e passou a ser a mulher que tocou em Jesus.

"Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal”

Quando a exclusão vira violência

Por isso, a história dessa mulher não é apenas sobre doença.
Ela também é sobre violência social.

Nem toda violência deixa marcas visíveis.
Algumas são construídas lentamente, por normas, discursos e expectativas.

Quando uma pessoa é constantemente lembrada de que não pertence, de que é impura, de que deve ficar afastada, algo dentro dela começa a ser ferido.

É possível que, depois de tantos anos, aquela mulher tivesse começado a acreditar nisso.
Que sua presença realmente era um problema.
Que seu corpo era vergonhoso.
Que sua existência deveria permanecer escondida.

Essa é uma das formas mais profundas de violência:
quando alguém é levado a acreditar que sua própria dignidade é menor.


Mulheres que ainda vivem à margem

Por isso, essa história continua sendo tão atual.

Muitas mulheres, ainda hoje, vivem formas semelhantes de exclusão e violência. Algumas são silenciadas dentro de suas próprias casas. Outras são ensinadas desde cedo a aceitar relações abusivas, culpa excessiva ou vergonha sobre seus próprios corpos.

E, em alguns contextos religiosos, a dor pode se tornar ainda mais silenciosa.

Existem mulheres que sofrem violência doméstica e têm medo de falar.
Mulheres que são culpabilizadas por agressões que sofreram.
Mulheres que aprendem que precisam suportar em silêncio para parecerem “boas cristãs”.

A fé que deveria proteger acaba sendo usada, às vezes, para manter o silêncio.

Assim como aquela mulher foi mantida à distância, muitas mulheres hoje ainda são empurradas para a margem,emocional, social ou espiritual.

O gesto que rompe o sistema

Mas então acontece algo extraordinário na história.

Aquela mulher decide atravessar a multidão.

Ela faz algo que, pelas regras sociais da época, não deveria fazer. Aproxima-se e toca a roupa de Jesus Cristo.

Esse gesto é pequeno, quase invisível para quem observa de fora.
Mas, na verdade, ele rompe uma estrutura inteira de exclusão.

Porque alguém que passou anos sendo afastada decide, finalmente, se aproximar.

E o que acontece depois é ainda mais radical.

Jesus não a repreende.
Não a acusa.
Não a manda voltar para longe.

Ele para.

Ele pergunta quem o tocou.

E, quando ela aparece, tremendo, ele não a chama de impura. Não a reduz à sua doença.

Ele a chama de “filha”.

Em uma única palavra, ele devolve aquilo que a sociedade havia tirado dela: pertencimento.

O que essa história ainda nos diz

A mulher do fluxo de sangue não tinha nome registrado.
Mas sua história atravessou séculos.

Talvez porque ela represente tantas pessoas que foram empurradas para o silêncio.

Mulheres que foram ensinadas a se esconder.
Mulheres que foram tratadas como problema.
Mulheres que foram convencidas de que sua dor deveria permanecer invisível.

Mas o evangelho nos mostra algo diferente.

Ele mostra que Deus não reforça sistemas que humilham.
Ele interrompe esses sistemas.

E talvez seja exatamente isso que essa história continue dizendo hoje:

Nenhuma mulher foi criada para viver na margem.
Nenhuma dor deveria ser escondida para proteger aparências.
Nenhuma violência deveria ser silenciada em nome da religião.

A mulher sem nome tocou o manto e foi vista.

E, desde então, sua história continua lembrando ao mundo que a fé verdadeira não empurra pessoas para fora, ela as chama de volta para a dignidade.

  

Essa mulher não deixou seu nome na história. Ela deixou de ser conhecida como a mulher do fluxo de sangue, para ser a mulher que rompeu a multidão.

Quero deixar uma mensagem para todas as queridas mulheres do mundo. Rogo por todas vocês que tenham CORAGEM, FORÇA, ESPERANÇA, DETERMINAÇÃO, PERSEVERANÇA, ÂNIMO e  FÉ, sempre para romper com a multidão que te impede de ver a face de Jesus, que te impede de ver o seu milagre chegar. Saiba que você não está só, tem um Deus que te olha e te ver com amor e cuidado. Chame por Ele quando quiser.

Seja qual for a condição que lhe foi imposta, rompa com essas barreiras em prol de sua liberdade. Pois, não existe nada melhor do que viver e ser mulher, e sempre estar cada vez mais MULHER.
Beijos e abraços calorosos. E que a paz esteja com você! =)
Ilana D. M. Cunha Lima
Eu sou contra a violência em qualquer que sejam as suas formas...

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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Qual é a pior morte? Espiritual ou Material?





Não responda tão rápido! Eu até saberia qual seria a sua resposta, porque bem sabemos o que deveríamos responder. Mas, antes que responda, vejamos alguns aspectos que demonstraram que sua resposta não seria aquilo que realmente pensas. 


A morte espiritual de fato é aquilo que nós cristãos deveríamos temer. e rapidamente defendemos e declaramos que tememos esse fato. Todavia, não sentimos verdadeiramente medo da morte espiritual. O que é um erro. Vou dizer o porquê...


Morte Material


A dor que sentimos ao perder algum ente querido tem a força de fazer com que tudo que já vivemos, o que estamos vivendo e o que poderíamos viver perder completamente o sentido, torna-se sem importância nos faz morrer lentamente, espiritualmente e materialmente. Perdemos a vontade, a razão e o prazer de existir. E nada, absolutamente nada, nos traz de volta a alegria de viver. E isso é totalmente compreendido. O sentimento é o que nos liga àquela pessoa que partiu, o amor, a amizade.
Esse tipo de morte é sem dúvida dolorosa e cruel ao nossos olhos egoístas, quando pensamos que queríamos a qualquer custo aquela pessoa ao nosso lado, ainda que sabemos o lugar gracioso e maravilhosamente divino em que ela se encontra. O amor e a saudade que sentimos, torna tudo aceitável e podemos nos tornar um pouco mais egoístas, e ignoramos o fato daquela pessoa estar tão bem sem nós, e nos aqui sentimos tanta sua falta. 

E quando estamos cara a cara com a nossa morte? Quando por um instante tão curto e tão decisivo vemos que quase íamos embora? A saudade e a tristeza de ter perdido alguém, para que o sente, quase vai embora. Para todos os outros, o que se sente naquele momento é: Foi por pouco! escapei com vida! Graças a Deus que me livrou! 

Nota-se como é importante a nossa existência aqui na terra. E tudo volta a ter valor novamente. O valor que atribuímos a nossa vida material. O medo da morte, e o medo da perda, nos mostra o

quanto amamos a nossa existência material. E o quanto nos preocupamos em nos eternizarmos, da forma errada vale salientar, pois é o mais certo que existe: Não somos eternos, materialmente.

"Pois tu és pó, e ao pó tornarás." Gênesis 3:19

“Nu deixei o ventre de minha mãe, e nu partirei da terra." Jó 1:21

"Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." Romanos 6:23

Isso não apenas algo bíblico pregado por nós cristãos. Em lugares que possuem a média de vida alta, as pessoas no máximo vivem até os cem anos. Lugares como a Costa Rica, Austrália, Japão têm uma excelente média de expectativa de vida. Porém, mesmo assim é mera expectativa, uma esperança de viver nessa terra o maior tempo que conseguir. A questão é que, se vivermos muito ou pouco mesmo assim vamos morrer. E essa é a única certeza dessa vida.

E quanto ao lugar para onde vamos? 

A bíblia nos afirma que o fim não é a morte:

"Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo." Hebreus 9:27

Daí surge a importância de nos preocuparmos para onde iremos quando partimos. Para um lugar onde não haverá mais dor, nem tristeza, nem morte? 

“Não haverá luto, nem pranto, nem dor” Apocalipse 21:4

Não importa a qual religião pertencemos, o que importa é saber que esse lugar esta destinado àquele que estar com o coração voltado a Deus, através de Jesus Cristo. Aquele que nos prometeu um bom lugar para viver eternamente.

Nisto posto, quero dizer que não estou desmerecendo o luto e a dor de ninguém, sei especialmente como é passar por isso. E ainda não me recuperei. Coloco-me na situação que descrevi agora a pouco, e compartilho com vocês minhas indagações e preocupação a respeito do tema. Desfruto do mesmo dilema em que vocês podem se encontrar. 

Findando-se a discussão sobre a morte material. Sabemos que este assunto tem muito a se discutir, porém nesse momento quero apenas citar, e já citei, apenas alguns que, a meu ver, mais pode corroborar com a nossa temática.

Morte Espiritual


Com base no que vimos sobre a morte material, podemos chegar a conclusão de que é tranquilamente perceptível a morte material. Porém, a morte espiritual é mais cruel e ainda assim, não tem tanta importância em nosso meio. Pelo fato de estarmos tão preocupados com nossas vidas terrenas.

Sendo assim, quase nunca estamos atentos ao fato de que muitas pessoas que nos rodeiam estão morrendo espiritualmente. Muitas, ainda cantam louvores, ainda frequentam cultos e templos, mas, estão morrendo espiritualmente.

Muitas vezes, nem elas mesmo sabem disso. Pode ter acontecido comigo ou com você, e não nos atentamos aos sinais que a morte estava chegando. Como já disse, se fosse a morte em sentido material saberíamos que escapamos ou que ela esteve um pouco perto demais. Porém, se tratando da morte espiritual, essa sim é mais terrível, quase não se pode notar a sua presença.

Quando alguém morre espiritualmente, poucos ou quase ninguém chora, sente dor ou sofre por ter perdido aquela alma. 

As pessoas pouco se importa, pois A MORTE ESPIRITUAL, ATINGE APENAS AO QUE MORRE. O morto está ao seu lado, você não sentirá a sua falta. Mas, espiritualmente ele já morreu.

Não falo apenas de APOSTASIA, que como todos sabem, seria o esfriamento da fé, o abandono dos princípios bíblicos e de todo o conhecimento adquirido durante o período em que mantinha firme suas crenças. Falo também de deixar morrer a esperança, a alegria, a força espiritual, a fé, e sobretudo o amor.



"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.





Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor."

 1 Coríntios 13:1 e 13.


A morte espiritual é totalmente oposta ao AVIVAMENTO ESPIRITUAL. Este que, não está ligado apenas ao fato de se falar em línguas, nem apenas ao fato de profetizar. uma vez que, uma pessoa que possui todos os dons espirituais, desde falar em línguas a profetizar, essa pessoa pode estar morrendo espiritualmente e não sabe, pois como diz na primeira epístola de coríntios capítulo 13, se não houver amor em nada se aproveita, e a falta de amor é sinal de morte espiritual. 

A palavra avivamento, que possui o sufixo 'a' indica que a palavra é derivada de outra, e tal sufixo dá a nós o significado de avivamento, que seria tornar mais vivo o que já se encontra vivo, ou seja avivar. Pode parecer desnecessária toda essa explicação. Ela se faz importante para nos trazer o verdadeiro significado do que seria avivamento espiritual.

O verdadeiro avivamento abrange muitas áreas da vida de um cristão. é exatamente a forma de viver, e estar ligada ao retorno aos ensinamentos de Jesus Cristo. É o evangelizar, e viver o verdadeiro evangelho.

Uma pessoa avivada tem ama, como Jesus ensinou. Ela poderá perceber alguém que está morrendo espiritualmente. Daí a importância de nos avivarmos, mas isso é assunto para um outro momento.

A bíblia nos garante a promessa que Jesus nos fez, a de estarmos com ele no paraíso, em outro momento, quando ele nos chamar. A promessa não foi dada apenas àquele homem, mas a todos que seguirem a Jesus. 


“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” Lucas 23:43



Ele nos garantiu que voltaria, ele foi até o Pai, mas ele voltará. Não sabemos que dia é esse "hoje mesmo" para nós, nem no texto literal da bíblia nem quando aplicamos a palavra a nós. Mas sabemos do que Jesus nos disse:

"
Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.
E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.
Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.
Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.
Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.
Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.
E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.
Se me amais, guardai os meus mandamentos.
E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;
O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.
Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.
Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis.
Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós.
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.
Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.
Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou.
Tenho-vos dito isto, estando convosco.
Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. "

João 14:1-27

Ele, ainda nos disse algo mais, que mesmo que estejamos mortos tanto espiritualmente, pois podemos passar isso diversas vezes e clamar por ele e ele nos ajudará a RESSUSCITAR. Como também quando estivermos mortos materialmente, pois nada interfere nos planos de Deus, Ele tem todo poder e o controle da vida.

"Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;

E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?" João 11:25-26

Ainda que estejamos mortos, Deus tem a solução. Contudo preocupe-se com sua vida espiritual, com avida espiritual de sua família. Cuide da criação e educação de seus filhos e de quem estiver próximo a você, estejais atentos aos sinais de fraqueza e de morte espirituais. 

Os pais não são garantidores apenas da segurança e alimentação dos filhos, mas devem estar atentos a vida espiritual deles. Os pais não devem só cuidar de suas vidas espirituais e nem somente das dos outros, se trabalharem para Deus, como pastores, mas devem cuidar em primeiro lugar da vida espiritual de seus filhos.

Por isso, fique atento a qualquer sinal de fraqueza espiritual. Clame por fora a Deus, peça para que Ele venha lhe ressuscitar, como no vale de ossos secos da visão de Ezequiel. 

Acredito que no inicio, quando perguntei qual era a pior morte, você deve ter respondido: A MORTE ESPIRITUAL. Sem pensar duas vezes. Na verdade, temos mais a morte material, do que a espiritual, diante das evidências que expus. O nosso coração pensa uma coisa e falamos outra, falamos o que achamos ser o correto mas tememos a morte, e a ausência de quem amamos, e negligenciamos nossa vida espiritual. Responsa corretamente, mas viva isso! Vamos viver isso!


Devemos viver o que consta no Salmo 23, e se deleitar no Senhor e Ele o mais Ele fará como consta em Salmo 37.


"Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo..." Salmos 23:4


"Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração." Salmos 37:4


Finalizamos concluído que Deus nos adverte quando o perigo da morte espiritual, e para encerrar, citarei um trecho de Deus às sete igrejas da Ásia.

"E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus.
Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.
Mas também tens em Sardes algumas poucas pessoas que não contaminaram suas vestes, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso.
O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas."

Apocalipse 3:1-6


Ilana D. M. Cunha Lima
Escritora


sábado, 31 de janeiro de 2015

Te agradeço, Senhor, por me conhecer tão perfeitamente!

Houve um momento em minha vida, em que meu coração queria chegar desesperadamente em um determinado lugar. Mas, por mais que eu me esforçasse e lutasse por essa paixão, nada acontecia. Relutei durante anos em esquecer, mas por algum motivo, parecia que eu não tinha o domínio da situação. Situações que se resolveriam tão facilmente, não saíam do lugar por minha vontade. Até que HOJE, no dia 31 de janeiro percebi porque nada daquilo pôde ser diferente.
Depois de algum tempo agente entende...
Deus não permitiu tal acontecimento. Por amor a mim? Aos meus filhinhos? Talvez.. Mas certamente, porque Ele é fiel a sua palavra, e não a nós... Porque Deus conhece o nosso trajeto e o nosso futuro, ele ver além. Ele sonda os corações e conhece os nossos pensamentos.
Deus não está limitado a visão e imaginação humana.
Seus projetos são muito maiores e insondáveis. E Nós, não sabemos nem como será o nosso amanhã. Mas Ele, jamais deixará que os Seus planos pereçam.
Quando Deus escolhe alguém para Seus projetos. O caminhar deste será guiado por Deus.
Em algum momento da minha vida, isso que eu queria para mim não me faria bem, aliás, estou sendo sutil, isso me faria mal mesmo.
Então. Decidi que hoje darei um passo a mais. E a confiança em Deus aumentando, certa de que Deus só permitirá acontecer o melhor para mim. E o melhor para mim é a vontade dEle.

Para somar às minhas palavras...

"SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.
Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces.
Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim a tua mão.
Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir.
Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?
Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também.
Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.
Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim.
Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa;
Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.
Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.
E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles!"

Salmos 139:1-17

Tudo que Ele planejou para você acontecerá!

domingo, 11 de janeiro de 2015

A Lei, a Graça e os Dez Mandamentos: entendendo seu verdadeiro significado

Desde o princípio do mundo, a humanidade possui uma percepção moral básica. Todas as sociedades sabem, em alguma medida, que matar, adulterar, furtar, mentir ou desonrar pai e mãe são atitudes erradas. Essa consciência moral não surgiu apenas de códigos legais ou sistemas religiosos. Segundo o apóstolo Paulo, Deus colocou no coração humano uma percepção de sua lei desde o início da criação (Rm 1.19-20).



Inicialmente, esses princípios eram compreendidos como valores éticos universais, e não como um código jurídico estruturado. Mais tarde, porém, esses princípios foram formalizados por Deus na forma de lei e entregues ao povo de Israel por intermédio de Moisés.

Esse momento representa um marco na história bíblica. 

Deus revelou ao seu povo um conjunto de mandamentos que orientaria não apenas a vida espiritual, mas também a vida social e comunitária de Israel.

Para compreender esse processo, é importante lembrar que Deus se revela ao ser humano de duas maneiras: pela revelação geral e pela revelação especial.

A revelação geral é aquela que pode ser percebida por todas as pessoas através da criação. A própria natureza testemunha a existência de Deus. Como afirma o Salmo 19.1-4:
“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.”
Da mesma forma, o apóstolo Paulo explica que os atributos invisíveis de Deus seu poder eterno e sua divindade  podem ser percebidos através das coisas criadas (Rm 1.20). Por isso, segundo ele, ninguém pode alegar ignorância absoluta acerca da existência de Deus.
Já a revelação especial ocorre quando Deus comunica de forma direta e específica sua vontade, como fez por meio das Escrituras.
Foi nesse contexto que surgiram as tábuas da Lei, entregues a Moisés no Monte Sinai.

As tábuas da Lei


A Bíblia não fornece detalhes exatos sobre o tamanho das tábuas da lei, mas sabemos que eram duas placas de pedra destinadas a serem guardadas dentro da Arca da Aliança.
A arca media aproximadamente 1,10 m de comprimento por 66 cm de largura e 66 cm de altura (Êx 25.10). Considerando o espaço interno e os outros objetos guardados nela, como a vara de Arão que floresceu e um vaso contendo o maná (Hb 9.4), acredita-se que cada tábua deveria ter dimensões menores.

Essas tábuas continham cerca de 172 palavras, sendo, portanto, perfeitamente transportáveis por uma pessoa.

Segundo a tradição bíblica, os mandamentos foram escritos pelo próprio Deus (Êx 31.18; Êx 32.15-16). Essas tábuas representavam o registro formal da aliança entre Deus e Israel, semelhante aos tratados de suserania comuns no antigo Oriente Próximo.
De acordo com a narrativa bíblica, Moisés recebeu essas tábuas duas vezes (Êx 20; 31.18; 34). A primeira versão foi quebrada quando ele desceu do monte e encontrou o povo adorando o bezerro de ouro.
A Bíblia não explica diretamente como os mandamentos estavam distribuídos entre as duas tábuas.

Ao longo da história, diversos pensadores tentaram responder essa questão.
O filósofo judeu Fílon de Alexandria, o historiador Flávio Josefo e o teólogo cristão Irineu de Lião acreditavam que havia cinco mandamentos em cada tábua.
Já o reformador João Calvino sugeriu uma divisão diferente: quatro mandamentos na primeira tábua e seis na segunda.

Essa interpretação se tornou bastante influente na tradição reformada, pois faz distinção clara entre os deveres do ser humano para com Deus e os deveres para com o próximo.
Após quarenta dias no Monte Sinai, Moisés desceu com as tábuas da lei (Dt 9.11). No entanto, ao chegar ao acampamento, encontrou o povo envolvido em idolatria.
Os israelitas haviam construído um bezerro de ouro e estavam adorando essa imagem (Êx 32.7-9).

Esse episódio revela algo profundo sobre a natureza humana. Mesmo depois de testemunhar milagres extraordinários (como a libertação do Egito) o povo rapidamente abandonou o compromisso que havia assumido diante de Deus.

Pouco tempo antes, Israel havia declarado solenemente:
“Tudo o que o Senhor tem falado faremos e obedeceremos” (Êx 24.7).

No entanto, a realidade mostrou como o coração humano é inclinado ao pecado.
Apesar da rebelião do povo, Deus não abandonou Israel.
Após a intercessão de Moisés, o Senhor renovou a aliança e ordenou que novas tábuas fossem feitas (Êx 34.1; Dt 10.1).

Nessas novas tábuas foram escritas novamente as mesmas palavras que estavam nas primeiras (Êx 34.10,27).

Esse episódio revela algo essencial sobre o caráter de Deus: Ele é justo, mas também misericordioso. Mesmo diante da infidelidade humana, Deus permanece fiel à sua promessa.

Os Dez Mandamentos


A expressão “Dez Mandamentos” aparece poucas vezes na Bíblia. Em hebraico, a expressão usada é asseret hadevarim, que significa literalmente “dez palavras” (Êx 34.28; Dt 4.13; Dt 10.4).
Na tradução grega do Antigo Testamento, conhecida como Septuaginta, foi utilizado o termo dekalogos, origem da palavra decálogo.
Esses mandamentos são apresentados em Êxodo 20.1-17 e Deuteronômio 5.6-21.
Desde a antiguidade, os mandamentos são entendidos em dois grandes grupos:

1. Mandamentos teológicos
Relacionados à relação do ser humano com Deus.

2. Mandamentos éticos
Relacionados à relação do ser humano com o próximo.
O próprio Jesus Cristo resumiu esses princípios em dois grandes mandamentos:
Amar a Deus de todo o coração (Dt 6.5; Mt 22.37-38)
Amar o próximo como a si mesmo (Lv 19.18; Mt 22.39)

Os Dez Mandamentos possuem uma estrutura direta, categórica e absoluta.

Eles são formulados em linguagem clara, com frases curtas e memoráveis. Oito deles aparecem em forma negativa “não farás” expressando proibições sem exceção.
Dois aparecem em forma positiva:
Guardar o sábado
Honrar pai e mãe (Êx 20.8-12)
Essa estrutura facilitava a memorização e a transmissão oral, especialmente em contextos comunitários e litúrgicos (Dt 31.11).

A Lei e a Graça


Com o passar do tempo, a Lei revelou um problema profundo: ela mostrava o pecado humano, mas não possuía poder para transformá-lo.
O apóstolo Paulo afirma que a lei, gravada em pedras, fazia parte de um ministério transitório (2 Co 3.7-11). Ela revelava a vontade de Deus, mas também evidenciava a incapacidade humana de obedecer perfeitamente.
Por isso, a revelação plena veio por meio de Cristo.

Como afirma o evangelho:
“A lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1.17).
O próprio Jesus declarou que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la (Mt 5.17-18).
Ele foi o único ser humano que cumpriu perfeitamente todos os mandamentos.
Quando perguntaram a Jesus o que era necessário para realizar as obras de Deus, sua resposta não foi simplesmente guardar mandamentos externos.

Ele respondeu:
“A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou” (Jo 6.28-29).
Mais tarde, Jesus apresentou aquilo que chamou de novo mandamento:
“Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 13.34).
Esse amor não é apenas um sentimento, mas um princípio transformador que resume toda a lei.

O apóstolo João reforça esse ensino:
“O seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros” (1 Jo 3.23-24).

A tendência humana sempre foi tentar conquistar a salvação por esforço próprio. No entanto, o evangelho ensina algo diferente.

A Lei Moral de Deus é a expressão do Seu caráter, da Sua vontade e da Sua mente. Ela revela a totalidade da justiça divina e se manifesta nos dois grandes mandamentos ensinados por Jesus Cristo: o amor a Deus e o amor ao próximo (Mt 7:12; 22:36-40; Rm 13:8-10).
A salvação não é alcançada por méritos humanos ou pela observância perfeita da lei. Ela é um dom da graça de Deus.

Como afirma o apóstolo Paulo:
“Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).
A lei cumpriu seu papel ao revelar o pecado humano. Mas foi em Cristo que Deus revelou plenamente sua graça.

Hoje, a lei não está escrita apenas em tábuas de pedra. Ela é gravada no coração daqueles que foram transformados pela graça de Deus (2 Co 3.7-11).
E é nessa graça que encontramos a verdadeira liberdade.
Esses dois mandamentos apresentados por Cristo resumem os Dez Mandamentos, que por sua vez são desenvolvidos em todos os juízos e estatutos morais encontrados ao longo das Escrituras (Gn 26:5; Êx 15:26; Dt 4:1,2,6).

A Lei Moral foi proclamada por Deus no Monte Sinai (Êx 20:1-17) e escrita por Sua própria mão em duas tábuas de pedra (Êx 31:18; Êx 24:12; Dt 4:12-13; 5:4-7,22). Essa lei não surgiu apenas naquele momento da história. Ela já estava presente desde o princípio, sendo conhecida por Adão, Eva e pelos patriarcas (Os 6:7; Gn 4:7; Gn 26:5).
No Sinai, essa lei tornou-se a base do concerto entre Deus e o povo de Israel (Êx 24:4,7,8; Hb 9:19,20).

Deus exigiu de Israel, e continua exigindo de sua igreja, duas atitudes fundamentais diante de Suas ordenanças: ouvir e obedecer (Dt 11:26-27). Quando o povo responde dessa forma, torna-se propriedade peculiar de Deus, reino sacerdotal e povo santo (Êx 19:5-6).

Desde o princípio do mundo, a humanidade compreende que é imoral matar, adulterar, furtar, mentir ou desonrar os pais, pois Deus inscreveu Sua lei no coração e na mente de todos os seres humanos, conforme descrito em Romanos 1.19-20. Originalmente, esses eram princípios éticos e não um código formalizado, baseados na revelação geral  aquela que pode ser percebida por meio da natureza e da razão, testemunhando a existência de um Criador inteligente e poderoso. No entanto, essas verdades universais foram posteriormente organizadas em forma de lei e entregues a Israel por intermédio de Moisés como o Decálogo. Este evento marcou a transição para a revelação especial, onde Deus se comunica de forma específica através de Sua Palavra. As tábuas da lei, que continham 172 palavras e podiam ser transportadas por um homem, eram o documento oficial dessa aliança. Embora não saibamos o tamanho exato, estima-se que cabiam na arca junto à vara de Arão e ao maná. 

A tradição relata que o próprio Deus esculpiu as primeiras tábuas, cujas letras eram vazadas e visíveis de ambos os lados, mas estas foram quebradas por Moisés diante da rebelião do povo com o bezerro de ouro. Após o perdão divino, novas tábuas foram lavradas, reafirmando o compromisso de Israel com o Senhor.

A divisão desses mandamentos tem sido objeto de debate ao longo dos séculos. Enquanto autores antigos como Fílon de Alexandria e Flávio Josefo sugeriam cinco mandamentos em cada tábua, teólogos como Calvino propuseram uma divisão de quatro deveres para com Deus e seis para com o próximo, uma visão que ecoa na modernidade ao separar o politeísmo da idolatria. Independentemente da contagem, a forma dos Dez Mandamentos é absoluta e categórica, utilizando o termo hebraico lo (não) para estabelecer proibições que não admitem exceções ou relativismo moral. Essa lei é chamada indistintamente de "Lei do Senhor", pela sua origem divina, e "Lei de Moisés", por sua mediação humana, abrangendo preceitos morais, cerimoniais e civis que formam uma unidade indivisível. No contexto bíblico, a Lei de Deus refere-se a todo o Pentateuco e não apenas às tábuas de pedra. Tentar isolar o Decálogo do restante das ordenanças, como fazem alguns grupos ao enfatizar apenas a guarda do sábado, ignora que a lei é um sistema completo de 613 preceitos. 

Em última análise, a teologia cristã ensina que toda essa estrutura legal foi plenamente cumprida em Jesus Cristo, que sintetizou a essência da lei no amor a Deus e ao próximo, transformando o "ministério da condenação" em um caminho de graça e verdade.

A transição da Lei para a Graça marca a mudança de um ministério de condenação para um ministério de justiça e vida. O Senhor Jesus cumpriu integralmente o sistema mosaico, incluindo seus preceitos morais, cerimoniais e civis , revelando que o "ministério da morte", gravado em pedras, era transitório e preparatório. Como explica o apóstolo Paulo em 2 Coríntios 3, a glória que brilhava no rosto de Moisés estava destinada a desaparecer, servindo apenas como um prelúdio para a glória mui superior do Novo Concerto. Sob a Graça, a verdade moral não é descartada, mas restaurada e adaptada a uma nova função: ela não serve mais como um meio para alcançar a vida, mas como um reflexo da vida que já recebemos pelo Espírito. Enquanto a Lei expõe a doença do pecado sem oferecer a cura, o Evangelho traz o remédio definitivo para aqueles que perderam a esperança.

Historicamente, a Lei propunha um meio hipotético de salvação baseado na obediência perfeita: "faça e viva" (Lv 18.5). No entanto, a fragilidade humana tornou esse caminho impossível para todos, exceto para Cristo. O antigo sistema prometia bênçãos terrenas e vida física abundante para Israel, mas não tinha o poder de conferir a vida eterna ou a regeneração da alma, algo que só se consolidou com a revelação cristã. Por isso, o cristão não está debaixo do domínio da Lei, pois ela já cumpriu seu papel de "aio" ou guia até Cristo. A dinâmica agora é invertida: não trabalhamos para viver, mas trabalhamos porque já vivemos em Deus. A Graça nos liberta da letra que mata para nos sujeitar à lei do Espírito, onde a obediência nasce de um coração transformado e não de um código externo de punição.

Essa nova realidade se manifesta nos mandamentos de Cristo, que não são uma reedição do Decálogo, mas a expressão do amor operado pelo Espírito Santo. Quando questionado sobre as obras de Deus, Jesus não apontou para as tábuas de pedra, mas para a necessidade de crer nAquele que o Pai enviou. O "novo mandamento" é a lei do amor, que sintetiza toda a ética cristã e serve como a norma que orienta a família celestial. Ao contrário do esforço humano para merecer a salvação, o Evangelho nos convida a descansar na obra consumada de Jesus. Tentar misturar a Lei com a Graça é como colocar um remendo novo em veste velha; a verdadeira fé reconhece que a salvação é um dom gratuito de Deus, recebido exclusivamente pela fé, onde o mérito de Cristo substitui nossa incapacidade e nos declara plenamente justificados.

A experiência dos israelitas no monte Sinai, ao receberem a Lei de Deus por meio de Moisés, é um dos pilares da história bíblica. Conforme Êxodo 20.1-2, o fundamento dessa entrega não é o medo, mas a libertação: Deus primeiro resgata Seu povo da casa da servidão para, somente então, apresentar Suas palavras. O Antigo Testamento, nesse sentido, não é um registro meramente acadêmico; ele foi desenhado por Deus para dar vida às verdades do Novo Testamento, servindo como uma apresentação dramática da redenção. O livro do Êxodo, em sua essência, trata da atividade de Deus em suprir a solução para a degradação e o pecado humano.

A Lei entregue no Sinai é muito mais que um código de conduta; é uma imagem da santidade e do caráter inflexível de Deus. Ela revela que o Senhor é imutável e que Suas exigências morais refletem Sua própria personalidade irrevogável. Ao nos encontrarmos com o senhorio de Cristo, descobrimos que esse nível absoluto de retidão permanece o mesmo. A palavra hebraica Torah, frequentemente traduzida como "Lei", carrega o sentido de instrução, ensino e orientação. Embora o termo seja aplicado ao Pentateuco ou a todo o Antigo Testamento, ele se manifesta em 613 mandamentos (mitzvot) que regiam a teocracia de Israel. Naquele estado, não havia distinção entre o civil, o moral e o religioso; a classe sacerdotal conduzia a vida do povo sob a autoridade direta de Deus, o Rei invisível, cujo palácio era o Tabernáculo.

O esboço mestre dessa legislação é o Decálogo, ou as "Dez Palavras". Diferente de um simples conselho ético, os Dez Mandamentos funcionavam como a constituição de uma nação cujo rei era o próprio Senhor. Infringir um mandamento era, portanto, um crime contra o Estado Teocrático e uma traição contra o Governador Divino. Embora alguns segmentos tentem separar o Decálogo (como "Lei de Deus") das normas cerimoniais (como "Lei de Moisés"), a Bíblia sustenta que a Lei é uma unidade indivisível. O que existem são preceitos distintos morais, cerimoniais e civis, mas todos compõem a mesma "Lei do Senhor". Como afirma o Rev. Esequias Soares, a divisão tripartida é uma convenção teológica para estudo, pois na prática bíblica, um preceito cerimonial tem tanta autoridade de "lei" quanto um moral.

Dentro dessa estrutura, o sistema de sacrifícios e holocaustos ocupava um lugar central, servindo como um "tipo" ou sombra do que viria. O holocausto (olah), a oferta totalmente queimada, subia a Deus como um "cheiro suave", simbolizando a entrega total. Essa imagem encontra seu cumprimento perfeito em Efésios 5.2, onde Cristo se entrega como oferta e sacrifício de aroma agradável. Desde o Éden, com a morte de animais para vestir Adão e Eva, até o carneiro providenciado no lugar de Isaque, Deus estabeleceu que o perdão exigia o derramamento de sangue inocente. A Lei atuou como um "raio-x", expondo a real condição do pecado e a incapacidade humana de atingir a santidade por esforço próprio.

Não há, contudo, contradição entre a Lei e a Graça; ambas são instrumentos da fidelidade de Deus. A Lei cumpriu o papel de "aio" o tutor que guarda e disciplina a criança até que ela atinja a maioridade. Ela nos conduziu a Cristo, o único que cumpriu todos os 613 preceitos. Quando Jesus morreu no Calvário, Ele não apenas nos justificou perante a justiça divina, mas nos concedeu a Graça: o favor imerecido que envolve regeneração e o dom do Espírito Santo. Tentar retornar à observância da Lei para obter salvação, como Paulo advertiu aos Gálatas, é anular o sacrifício de Cristo. Se o homem tenta se salvar por um único ponto da Lei, torna-se devedor de toda ela. 

Hoje, a esperança cristã não repousa nas obras, mas na misericórdia de um Deus clemente. Em Jesus, toda a Lei foi cumprida, e agora vivemos não sob a letra que condena, mas sob a Graça que capacita e salva através da fé.

Conclusão: O Cumprimento da Promessa


A jornada do Sinai ao Calvário revela que a Lei e a Graça não são forças opostas, mas etapas complementares do plano redentor de Deus. A Lei, em sua natureza santa e inflexível, cumpriu o propósito vital de espelhar o caráter de Deus e diagnosticar a incapacidade humana. Ela funcionou como um "raio-x" espiritual, expondo a profundidade do pecado e a necessidade de um Salvador, atuando como o tutor (aio) que nos conduziu pela mão até a maioridade em Cristo.

Ao olharmos para o Pentateuco e os 613 mandamentos da Torá, compreendemos que Deus estabeleceu uma teocracia onde cada detalhe, do sacrifício de holocausto às normas civis, apontava para uma pureza que o homem, por esforço próprio, jamais alcançaria. O sistema de sacrifícios, com seu "cheiro suave", era um ensaio profético do sacrifício supremo de Jesus, o Cordeiro de Deus que não apenas cobriu, mas removeu o pecado do mundo.

A transição para a Graça não significa a abolição dos princípios morais de Deus, mas a sua interiorização. Enquanto a Lei foi escrita em pedras para um povo sob tutela, a Graça escreve a vontade de Deus no coração do crente através do Espírito Santo. Jesus não veio para revogar a Lei, mas para cumpri-la integralmente, satisfazendo as exigências da justiça divina que nós não poderíamos cumprir.

Viver sob a Graça, portanto, é reconhecer que a salvação é um favor imerecido, recebido exclusivamente pela fé. Tentar misturar a justiça das obras com a justiça da fé é anular a eficácia da cruz. Nossa esperança não reside na nossa capacidade de guardar preceitos, mas na perfeição dAquele que os guardou por nós. Hoje, livres da condenação, somos chamados a viver não por obrigação ao código, mas por amor ao Legislador, refletindo a santidade de Cristo em cada aspecto de nossa caminhada.