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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Quando Deus está no comando, o medo e o sofrimento perdem a força

Vivemos em uma geração marcada pela ansiedade, pelo medo e pelo cansaço emocional. Pessoas carregam dores silenciosas, inseguranças escondidas e batalhas internas que ninguém vê. Muitos sabem oferecer amor, cuidado e apoio aos outros, mas não conseguem enxergar valor em si mesmos. Porém, à luz da Palavra de Deus, existe uma verdade transformadora: quando Deus está no comando, o medo perde a força, e entendemos que também merecemos receber o amor que oferecemos.

A Bíblia declara em Isaías 41:10:

“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus.”

Perceba que Deus não promete ausência de lutas. Ele promete presença. O Senhor não diz que o vale desaparecerá imediatamente, mas garante que caminhará conosco dentro dele. É essa presença que enfraquece o medo.

O medo tenta convencer o coração de que estamos sozinhos, esquecidos ou incapazes. Mas a fé lembra que Deus continua no controle mesmo quando não entendemos o processo. Como escreveu o teólogo e pastor Charles Spurgeon:

“A ansiedade não esvazia o amanhã de suas dores, mas esvazia o hoje de sua força.”

Quantas vezes nos preocupamos tanto com o futuro que deixamos de descansar no cuidado diário do Pai? Jesus ensinou exatamente isso em Mateus 6:26, ao dizer que Deus alimenta as aves do céu e cuida de cada detalhe da criação. 

Se o Senhor cuida dos pássaros, quanto mais cuidará dos seus filhos?

 Em meio às preocupações da vida, Jesus nos convida a olhar para algo simples, mas profundamente espiritual: os pássaros do céu. Enquanto muitos vivem consumidos pela ansiedade sobre o amanhã, Cristo ensina que a criação inteira revela o cuidado constante de Deus. As aves não acumulam riquezas, não controlam o futuro e nem vivem presas ao medo, mas continuam sustentadas diariamente pelas mãos do Pai. Essa passagem nos lembra que Deus conhece nossas necessidades antes mesmo de abrirmos os lábios em oração. Se o Senhor cuida dos pequenos detalhes da natureza, quanto mais cuidará daqueles que foram criados à Sua imagem. O medo perde força quando entendemos que nossa vida está nas mãos de um Deus que nunca abandona seus filhos.

“Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?”  

“Por quê, Deus?” O sofrimento, a injustiça e a dor do mundo podem gerar ansiedade, medo e até silêncio dentro da alma. E o mais importante é entender que Deus não condena quem pergunta; muitos servos de Deus também choraram tentando compreender o sofrimento.

O próprio Bíblia Sagrada está cheio de clamores assim. Davi perguntou:

“Até quando, Senhor?”

E o profeta Habacuque questionou por que Deus permitia tanta violência e injustiça. Deus não rejeitou essas perguntas. Ele ouviu.

Na visão cristã, o sofrimento existe porque o mundo é marcado pela fragilidade humana, pelas escolhas erradas, pela maldade e por uma criação ferida pelo pecado. Isso não significa que Deus tenha prazer na dor. Pelo contrário: a Bíblia mostra um Deus que sofre com os que sofrem.

Jesus chorou diante da dor humana. Em Bíblia Sagrada está o menor versículo da Bíblia:

“Jesus chorou.”

Mesmo sabendo que ressuscitaria Lázaro, Cristo chorou ao ver a tristeza das pessoas. Isso mostra que Deus não é indiferente à dor do mundo.

Quando Jesus fala que Deus cuida dos pássaros em Mateus 6:26, Ele não está dizendo que nunca haverá sofrimento. Os pássaros enfrentam tempestades, fome e frio. Mas continuam sustentados pela providência divina. O cuidado de Deus nem sempre significa ausência de dor; muitas vezes significa presença no meio dela.

C. S. Lewis escreveu algo muito conhecido:

“Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores.”

Muitas pessoas encontram Deus justamente nos momentos em que tudo parecia perdido. Não porque a dor seja boa, mas porque ela revela nossa necessidade de algo maior do que nós mesmos.

Também existe algo importante: nós enxergamos apenas fragmentos da história. Deus vê o todo. Há situações que parecem sem sentido agora, mas que talvez nunca compreenderemos completamente nesta vida. A fé cristã não oferece todas as respostas imediatas para o sofrimento, mas oferece uma presença: Cristo caminhando conosco.

Jesus disse:

“No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”

Isso significa que a dor não terá a palavra final.

Sentir ansiedade diante do sofrimento do mundo não faz de você alguém sem fé. Muitas vezes, revela apenas que seu coração ainda se importa, ainda sente, ainda deseja justiça e bondade. A fé não elimina todas as perguntas, mas pode transformar o desespero em confiança gradual: mesmo quando não entendemos tudo, Deus continua presente.

 Ao mesmo tempo, muitas pessoas vivem um cristianismo de entrega aos outros, mas sem misericórdia consigo mesmas. Ajudam todos, aconselham todos, acolhem todos… mas se sentem indignas de amor. Isso acontece porque aprenderam a servir, mas ainda não compreenderam totalmente a graça.

A Palavra diz em 1 João 4:19:

“Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.”

Isso muda tudo. O amor que oferecemos não nasce da obrigação, mas da experiência de sermos amados por Deus primeiro. Você não precisa viver tentando merecer o amor divino. A cruz já é a prova suficiente de que Cristo o ama profundamente.

O teólogo A. W. Tozer dizia:

“O que vem à nossa mente quando pensamos em Deus é a coisa mais importante sobre nós.”

Se enxergamos Deus apenas como juiz severo, viveremos presos à culpa. Mas quando entendemos que Ele também é Pai amoroso, encontramos descanso para a alma.

Talvez você tenha sido forte por muito tempo. 

Talvez tenha carregado pesos emocionais em silêncio. 

Talvez tenha chorado escondido enquanto continuava sorrindo para todos. Mas Deus conhece suas dores mais profundas. O Salmo 34:18 declara:

“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado.”

Existe cura quando nos aproximamos de Deus com sinceridade. Existe renovação quando entregamos nossos medos nas mãos do Pai. Existe paz quando entendemos que não precisamos controlar tudo.

O evangelho não é apenas sobre salvação futura; é também sobre restauração interior. Cristo não veio apenas para perdoar pecados, mas para restaurar corações cansados.

Por isso, hoje lembre-se:
Você merece o amor que tanto oferece aos outros. 
Não porque o mundo aprovou você. 
Não porque nunca falhou. 
Mas porque Deus decidiu amar você antes mesmo de sua primeira vitória...




Quando Deus está no comando, o medo perde a força.
Quando Deus ocupa o centro, a culpa perde o domínio.
E quando entendemos o amor de Deus, nossa alma finalmente encontra descanso. 

terça-feira, 5 de maio de 2026

A força que nasce nas tempestades: um estudo sobre fé, resistência e transformação

 A caminhada cristã não é marcada pela ausência de tempestades, mas pela presença de Deus no meio delas. 

Muitas vezes se cria a expectativa de que viver pela fé nos poupará de dores, perdas e momentos de incerteza, porém a própria Escritura nos mostra o contrário. O próprio Jesus declarou em João 16:33 que no mundo teríamos aflições, mas nos encorajou a ter bom ânimo porque Ele venceu o mundo. Essa afirmação não nega a realidade das tempestades, mas redefine a forma como o cristão deve atravessá-las. A tempestade deixa de ser um sinal de abandono e passa a ser um cenário onde a fé é provada, fortalecida e amadurecida.





Em Tiago 1:2-4 somos orientados a considerar motivo de alegria o passar por diversas provações, sabendo que a prova da fé produz perseverança. Esse ensinamento revela que existe um propósito espiritual por trás das dificuldades. A fé que nunca foi confrontada permanece superficial, mas a fé que atravessa a dor cria raízes profundas. Assim como uma árvore precisa enfrentar ventos para fortalecer sua estrutura, o cristão amadurece quando permanece firme na fé, mesmo sem entender completamente o que está acontecendo. Não se trata de romantizar a dor, mas de reconhecer que Deus não desperdiça nenhum processo.

Um dos episódios mais marcantes das Escrituras que ilustra essa verdade está em Marcos 4:35-41, quando Jesus entra no barco com os discípulos e uma grande tempestade se levanta. O texto diz que as ondas batiam no barco a ponto de já se encher de água, enquanto Jesus dormia na popa. Os discípulos, tomados pelo medo, o despertam perguntando se Ele não se importava que perecessem. Então Jesus se levanta, repreende o vento e diz ao mar que se aquiete, e tudo se acalma. Antes de acalmar a tempestade, Jesus já estava presente no barco. Isso revela um princípio profundo: a segurança do cristão não está na ausência de problemas, mas na presença de Cristo. Mesmo quando parece silêncio, mesmo quando Deus parece não agir imediatamente, Ele continua presente. A tempestade não é prova de que Ele se afastou, mas muitas vezes é o ambiente onde aprendemos a confiar além das circunstâncias.

Ao olharmos para a história de Noé em Gênesis 6 a 9, encontramos outra dimensão das tempestades. Diferente dos discípulos, Noé enfrentou uma tempestade prolongada, um dilúvio que cobriu toda a terra. Antes mesmo da chuva começar, Deus já havia dado direção, instruindo-o a construir a arca. Isso mostra que, em muitos casos, Deus prepara os seus antes da tempestade chegar. Em Gênesis 7:16 está escrito que, depois que Noé entrou na arca com sua família, o próprio Deus fechou a porta. Esse detalhe revela cuidado e proteção divina. Durante o dilúvio, tudo ao redor foi tomado pelas águas, mas dentro da arca havia preservação. A tempestade, que para muitos representou juízo, para Noé se tornou também um instrumento de livramento e de recomeço.

Após o dilúvio, em Gênesis 8:1, o texto diz que Deus se lembrou de Noé e fez soprar um vento sobre a terra, e as águas começaram a baixar. Esse “lembrar” não significa que Deus havia esquecido, mas que Ele estava prestes a agir em favor de Noé. E então, depois de um longo período de espera, surge algo novo. Em Gênesis 9, Deus estabelece uma aliança e coloca o arco-íris como sinal de promessa. Isso nos ensina que algumas tempestades são, na verdade, transições para um novo começo. Há momentos em que Deus permite que antigas estruturas sejam levadas, não para destruir completamente, mas para preparar um novo tempo.

Além disso, a tempestade tem o poder de revelar o que está dentro de nós. Situações difíceis expõem medos, inseguranças e limites humanos, mas também abrem espaço para a ação de Deus. Em 2 Coríntios 12:9-10, o apóstolo Paulo declara que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza e que, quando está fraco, então é que é forte. Essa lógica espiritual é contrária à lógica humana, pois ensina que não é na autossuficiência que encontramos força, mas na dependência de Deus. A tempestade quebra a ilusão de controle e nos conduz a uma confiança mais profunda.

Outro aspecto importante é que as tempestades não são permanentes. Há um movimento de Deus em cada processo, e depois da tempestade, algo novo pode surgir. Em Salmos 30:5 está escrito que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Isso não significa que a dor é insignificante, mas que ela não é eterna. Deus trabalha em ciclos de transformação, e muitas vezes aquilo que parecia apenas destruição se torna o início de um novo tempo. Em Isaías 43:19, o Senhor declara que está fazendo uma coisa nova e que já está surgindo, mesmo que ainda não seja percebida.

A história bíblica está repleta de exemplos de pessoas que passaram por tempestades e experimentaram recomeços. Jó, após perder tudo, teve uma revelação mais profunda de Deus e viveu uma restauração. José enfrentou rejeição, injustiça e esquecimento antes de viver o cumprimento do propósito de Deus em sua vida. Davi passou por perseguições antes de assumir o trono. Em todos esses casos, a tempestade não foi o fim, mas o processo que preparou o caminho para algo maior.

Por isso, ao atravessar momentos difíceis, é importante lembrar que Jesus continua no barco, assim como esteve com os discípulos, e que Deus continua sendo o mesmo que guardou Noé dentro da arca. Ele não apenas observa de longe, mas caminha conosco, sustenta e intervém no tempo certo. A tempestade pode até abalar, mas não tem poder para destruir aquilo que está firmado em Deus. Existe uma força sendo gerada no silêncio das lutas, uma maturidade que não nasce no conforto e uma fé que se torna mais firme após cada processo enfrentado.

Depois da tempestade, algo muda. O olhar muda, a fé amadurece, a relação com Deus se aprofunda. E muitas vezes, aquilo que vem depois não seria possível sem o que foi vivido antes. A tempestade pode até parecer um fim, mas nas mãos de Deus ela se torna um caminho para um novo começo. Assim como após o dilúvio veio uma nova aliança, após as nossas tempestades também podem nascer novos começos, novas direções e uma vida marcada por uma fé ainda mais firme e dependente de Deus.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Deus não se esqueceu de você: o propósito no silêncio

Você já viveu um momento em que achou que Deus estava em silêncio… mas depois entendeu o propósito?

Há dias em que o silêncio parece ensurdecedor.
As orações continuam, mas as respostas não chegam.
O coração aperta, e a dúvida sussurra:
“Será que Deus se esqueceu de mim?”

Mas não… Deus não se esquece.

O que para nós parece ausência, muitas vezes é um agir silencioso.
Deus trabalha no invisível, nos detalhes que não conseguimos enxergar, preparando caminhos que ainda não estamos prontos para percorrer.

Nem todo silêncio é abandono.
Às vezes, é cuidado.
Às vezes, é proteção.
Às vezes, é Deus alinhando tudo para que o propósito dEle se cumpra da forma certa.

A verdade é que queremos respostas rápidas, soluções imediatas, caminhos claros.

Mas Deus está mais interessado no processo do que na pressa.

Porque é no processo que Ele nos fortalece.
É na espera que Ele nos ensina a confiar.
É no silêncio que Ele nos aproxima dEle.

Talvez hoje você esteja vivendo um tempo de dúvida.
Um tempo em que tudo parece parado, sem direção.

Mas um dia, aquilo que hoje te confunde…
vai se transformar em testemunho.

Você vai olhar para trás e entender que Deus nunca esteve ausente.
Ele só estava trabalhando de uma forma que você ainda não conseguia ver.

Ela orava… mas ninguém ouvia. Os lábios se moviam, mas não saía som. Era uma dor silenciosa, daquelas que não cabem em palavras.

Enquanto todos seguiam suas vidas normalmente, ela carregava um peso invisível, o de esperar algo que nunca chegava. 

O nome dela era Ana.

Por anos, ela lidou com frustração, vergonha e perguntas sem resposta.
Por anos, pareceu que Deus estava em silêncio.

Mas Ele não estava.

Enquanto Ana chorava no templo, Deus já estava escrevendo a história que mudaria tudo.
O milagre não veio no tempo dela…
veio no tempo certo.

Há momentos na vida em que o silêncio parece dominar todas as coisas. As orações continuam, mas as respostas não chegam. Nesse contexto, surge uma das perguntas mais profundas da experiência humana: Deus se esqueceu de mim?

A narrativa bíblica, no entanto, revela um padrão consistente. Deus não se esquece. O que muitas vezes é percebido como ausência ou demora faz parte de um processo maior, orientado por um propósito que ultrapassa a compreensão imediata.

A história de Ana, narrada no Primeiro Livro de Samuel (1:10-20), ilustra esse princípio. Ana vivia em profunda aflição por não poder ter filhos, situação que, em seu contexto cultural, implicava dor emocional e humilhação social. Sua oração era silenciosa, intensa e persistente. O texto destaca que ela orava com amargura de alma, sem que sua voz fosse ouvida. Ainda assim, Deus a ouviu. A resposta não veio de imediato, mas no tempo determinado, resultando no nascimento de Samuel. A tradição teológica, como apontado por Matthew Henry, interpreta essa demora como um meio pelo qual Deus fortalece a fé e aprofunda a dependência do crente.

Não é sobre o seu tempo.
É sobre o propósito dEle.

E mesmo quando tudo parecer em silêncio, lembre-se: ✨ Deus não se esqueceu de você.

Agora imagine outro cenário.

Um homem esquecido.
Sem destaque, sem força, sem esperança.

Vivendo à margem, como se sua história tivesse sido interrompida no meio.

O nome dele era Mefibosete. 

Outro exemplo significativo é o de Mefibosete, descrito no Segundo Livro de Samuel (9:1-13). Ele vivia em Lo-Debar, um lugar associado à escassez e ao esquecimento. Sua condição física e sua origem familiar o colocavam à margem da sociedade e sem perspectivas de restauração. No entanto, o rei Davi manda chamá-lo, não por mérito próprio, mas em razão de uma aliança estabelecida com Jônatas. Mefibosete é então restaurado e passa a viver à mesa do rei. Charles Spurgeon interpreta essa passagem como uma expressão da graça divina, que alcança o ser humano não por suas condições, mas pela fidelidade de Deus à sua aliança.

Durante anos, ninguém o chamou.
Ninguém lembrou.
Ninguém procurou.

Até que, em um dia comum, tudo mudou.

O rei mandou chamá-lo.

E aquele que vivia escondido…
passou a se sentar à mesa do rei.

E José?

Ah, José sonhou.

Mas entre o sonho e a promessa, vieram a dor, a traição, o abandono e a prisão.

Quantas vezes ele deve ter pensado:
“Deus se esqueceu de mim…”

Mas não.

Deus estava trabalhando no invisível.
Cada etapa, cada atraso, cada injustiça…
eram partes do caminho.

Até que, no tempo certo, o improvável aconteceu.

José não apenas venceu: ele entendeu.

A trajetória de José, apresentada no Livro de Gênesis (capítulos 37 a 41), evidencia o intervalo entre promessa e cumprimento. José recebe sonhos que indicavam um futuro de exaltação, mas sua caminhada foi marcada por traição, escravidão e prisão injusta. Durante anos, não havia sinais de que a promessa se concretizaria. No entanto, ao final, ele reconhece que todo o percurso fazia parte de um plano maior, afirmando que aquilo que foi intentado para o mal foi transformado em bem. Teólogos contemporâneos, como Augustus Nicodemus Lopes, destacam que Deus não está apenas interessado no cumprimento da promessa, mas na formação do caráter ao longo do processo.

No Novo Testamento, o relato do paralítico de Betesda, no Evangelho de João (5:1-9), reforça essa mesma dinâmica. O homem estava enfermo havia trinta e oito anos, vivendo em um ciclo contínuo de frustração. Em meio a uma multidão, ele é visto por Jesus, que lhe dirige uma pergunta direta e transformadora. A cura acontece de forma inesperada, não pelo meio tradicional que o homem aguardava, mas pela palavra de Cristo. O estudioso Craig S. Keener observa que esse episódio demonstra como a ação divina ultrapassa as expectativas humanas e rompe com limitações estabelecidas pelas circunstâncias.

Essas narrativas, quando analisadas em conjunto, revelam um padrão teológico claro. Deus age mesmo no silêncio. O tempo divino não se submete à urgência humana. A espera, embora difícil, não é vazia, mas carregada de significado e transformação.

A percepção de abandono, portanto, não corresponde à realidade da ação divina. Ao contrário, o que parece ausência pode ser a forma mais profunda de atuação, ainda que invisível aos olhos humanos.

Dessa forma, a mensagem central permanece. Deus não se esqueceu. Assim como respondeu a Ana, restaurou Mefibosete, conduziu José e viu o homem esquecido à beira do tanque, Ele continua atento à história de cada pessoa.

O silêncio não é o fim. Pode ser, na verdade, o início de algo que ainda está sendo preparado.

Um dia, tudo vai fazer sentido.

E você vai perceber:

não era ausência…
era Deus escrevendo, em silêncio, a sua história.

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.”
 Eclesiastes 3:1

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Estudo Bíblico: Como Deus se relaciona com as mulheres na Bíblia

 Em um mundo onde mulheres eram silenciadas, ignoradas e diminuídas, Jesus fez o oposto...

Ele parava.
Ele olhava.
Ele ouvia.

Jesus nunca tratou mulheres como menos.
Ele as tratou como filhas, como dignas, como portadoras de propósito.

Enquanto a sociedade apontava dedos, Ele estendia a mão.
Enquanto os homens acusavam, Ele defendia.
Enquanto o mundo reduzia histórias ao erro, Ele restaurava identidades.

Jesus não apenas amava mulheres,
Ele devolvia a elas aquilo que o mundo havia roubado: voz, valor e lugar.

Se você hoje se sente invisível, rejeitada ou nunca escolhida…
lembre-se:

Você é exatamente o tipo de pessoa que Jesus parava para encontrar.

Você não é esquecida.
Você é vista.

E no olhar dEle, você sempre foi digna de amor...

🌺


Deus nunca foi indiferente às mulheres

Desde o início, em Gênesis, a mulher não é criada como inferior, mas como “ezer kenegdo” aliada adequada (Gn 2:18), alguém correspondente, compatível, essencial. 

O termo original hebraico “ezer kenegdo” carrega um sentido muito mais profundo,“kenegdo” significa literalmente:

“diante dele”, “correspondente a ele”, “equivalente”.

Em uma cultura que, ao longo da história, marginalizou mulheres, a Bíblia revela algo diferente:

➡️ Deus vê

Deus é aquele que vê além daquilo que é visível aos olhos humanos. Em um mundo que frequentemente ignorava mulheres, Ele se revela como o Deus que enxerga profundamente; não apenas a aparência, mas a dor, a história e o coração. A experiência de Agar, no deserto, revela isso de forma marcante: uma mulher invisibilizada pela sociedade é, na verdade, completamente vista por Deus. Ele não apenas a encontra, mas a chama pelo nome e se envolve com sua dor.

Esse olhar de Deus não é superficial; é um olhar que valida, que reconhece e que restaura. Ele vê mulheres que foram esquecidas, rejeitadas ou diminuídas, e as trata com dignidade. Isso nos mostra que nenhuma mulher está fora do alcance do olhar de Deus. Mesmo quando ninguém percebe sua dor ou valor, Deus continua vendo; e, ao ver, Ele já começa a agir.


➡️ Deus chama

Ao longo da Bíblia, Deus não apenas vê: Ele chama. E esse chamado não está limitado a homens, posições ou padrões sociais. Mulheres também são chamadas por Deus para viver propósitos profundos e transformadores. Desde Maria, escolhida para gerar Jesus, até tantas outras que participaram ativamente da história da redenção, vemos que Deus direciona, confia e entrega missões às mulheres.

O chamado de Deus não depende da perfeição, mas da disponibilidade. Muitas dessas mulheres tinham histórias improváveis, medos e limitações, ainda assim, Deus as escolheu. Isso revela que o valor de uma mulher, aos olhos de Deus, não está no que o mundo exige, mas no que Ele vê dentro dela. Quando Deus chama, Ele também capacita, sustenta e conduz.


➡️ Deus aproxima

Deus nunca quis mulheres longe. Ele sempre as quis perto do Seu coração e da Sua obra.

Deus não apenas vê e chama: Ele aproxima. Ao contrário de estruturas religiosas que afastavam mulheres, Deus constantemente as convida para perto. A história de Maria aos pés de Jesus revela isso com clareza: Ele não a impede, não a corrige por ocupar aquele espaço, Ele a valida. Ele mostra que o lugar da mulher também é na intimidade, no aprendizado e na presença.

Essa aproximação revela o desejo de Deus por relacionamento. Ele não quer mulheres apenas cumprindo papéis, Ele quer mulheres próximas, ouvindo Sua voz, sendo transformadas pela Sua presença. Estar perto de Deus nunca foi privilégio de poucos, mas convite aberto. E quando uma mulher se aproxima de Deus, ela descobre quem realmente é.

 Deus vê mulheres que ninguém vê

A primeira pessoa na Bíblia a dar um nome a Deus foi uma mulher: Agar.

Sozinha, rejeitada e sem direção, ela tem um encontro com Deus e O chama de El Roi: o Deus que vê (Gn 16:13).

Desde as primeiras páginas da Bíblia, Deus se revela como aquele que enxerga além das aparências e das estruturas sociais. A história de Agar mostra isso com profundidade: uma mulher estrangeira, explorada e descartada, que foge para o deserto sem direção. E é justamente ali, no lugar de abandono, que Deus a encontra. Ele não espera que ela esteja forte, organizada ou espiritualmente preparada, Ele a vê no meio da dor.

➡️ Deus não ignora mulheres invisíveis

Em muitos momentos da história (e até hoje) mulheres foram colocadas em posições de invisibilidade: não ouvidas, não reconhecidas, não valorizadas. Mas Deus nunca operou dentro dessa lógica. Aquilo que o mundo ignora, Ele observa com atenção. Aquela que ninguém chama pelo nome, Deus conhece profundamente. Ele não mede valor por visibilidade social, mas por identidade espiritual.

Na Bíblia, vemos repetidamente Deus se aproximando de mulheres que estavam à margem. Ele não passa por elas,Ele para. Ele não as trata como pano de fundo, Ele as coloca no centro do encontro. Isso revela que, para Deus, nenhuma mulher é pequena demais, esquecida demais ou irrelevante demais. O olhar dEle alcança exatamente aquelas que o mundo aprendeu a não enxergar.

➡️ Ele se revela a quem foi rejeitada

Deus não apenas vê mulheres rejeitadas. Ele se revela a elas. A rejeição, que muitas vezes gera silêncio, dor e sensação de não pertencimento, se torna cenário de encontro com Deus. Agar é um exemplo marcante: expulsa, ferida e sozinha, ela não encontra julgamento, mas revelação. Deus se apresenta a ela de forma pessoal, íntima, transformadora.

Isso nos mostra que Deus não se limita a ambientes perfeitos ou pessoas “aceitas”. Ele escolhe se manifestar justamente onde houve ruptura, abandono e dor. A rejeição que parecia o fim se torna, nas mãos de Deus, o início de um relacionamento profundo. Mulheres rejeitadas não são esquecidas por Deus, elas são, muitas vezes, as que mais experimentam Sua presença.


➡️ Ele encontra mulheres em lugares de dor

Deus não evita lugares de dor, Ele entra neles. Enquanto muitas pessoas se afastam do sofrimento, Deus se aproxima. Ele encontra mulheres em desertos emocionais, em perdas, em crises de identidade, em momentos de profunda solidão. Ele não exige que estejam bem para se aproximar,Ele chega exatamente quando elas não estão.

Esse encontro muda tudo, porque revela que a dor não é um lugar de abandono, mas de visitação divina. Deus transforma cenários de sofrimento em espaços de cura e reconstrução. Quando Ele encontra uma mulher na dor, Ele não apenas consola, Ele restaura, fortalece e reescreve a história. Onde havia ferida, Ele começa a plantar propósito.

Deus se aproxima de mulheres antes mesmo que elas saibam como se aproximar dEle. 

Deus chama mulheres para perto da Sua presença

Na história de Maria e Marta (Lucas 10), Maria se posiciona aos pés de Jesus: lugar de discípulo.

E Jesus afirma que ela escolheu a melhor parte.

➡️ Deus não limita o acesso das mulheres ao conhecimento espiritual

Ao longo da história, o acesso ao ensino espiritual foi muitas vezes restringido às mulheres. Em muitos contextos, elas foram afastadas do aprendizado como se não fossem chamadas a compreender profundamente as coisas de Deus. Mas quando olhamos para as Escrituras, encontramos um Deus que não estabelece esse tipo de limitação. Ele não distribui revelação com base em gênero, mas convida todos a conhecê-Lo.

Em Lucas 10:39, vemos Maria assumindo um lugar que, culturalmente, não era destinado a mulheres:
“Maria, sua irmã, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.”
E a resposta de Jesus confirma esse acesso:
“Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” (Lucas 10:42)

O conhecimento de Deus nunca foi um privilégio masculino. Sempre foi um convite aberto a toda mulher que deseja se aproximar.


➡️ Ele deseja mulheres aprendendo, crescendo e próximas

Deus não deseja mulheres limitadas a uma fé superficial. Ele deseja crescimento, profundidade e relacionamento. Há um chamado constante nas Escrituras para que o povo de Deus amadureça espiritualmente, e isso inclui plenamente as mulheres. Elas não foram criadas apenas para observar a fé, mas para vivê-la, compreendê-la e se desenvolver nela.

A Palavra reforça esse convite ao crescimento:
“Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2 Pedro 3:18)
E também afirma que a proximidade com Deus é acessível a quem deseja:
“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” (Tiago 4:8)
Deus deseja mulheres que estejam perto, que aprendam a ouvir Sua voz e que caminhem com Ele de forma íntima e constante.


➡️ Estar na presença dEle nunca foi exclusividade masculina

A presença de Deus nunca foi um espaço restrito. Ainda que, em determinados contextos históricos, mulheres tenham sido afastadas de posições ou ambientes religiosos, Deus sempre se revelou acessível a todos os que O buscam com sinceridade. Sua presença não é limitada por estruturas humanas, mas oferecida por graça.

A própria Palavra declara:
“E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Atos 2:21)
E também afirma:
“Porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:28)

Isso revela que, em Cristo, não há barreiras que impeçam uma mulher de se aproximar de Deus. A presença dEle sempre esteve disponível, aberta e acolhedora. Toda mulher que se achega descobre que nunca esteve do lado de fora.


Deus prefere mulheres aos Seus pés do que presas apenas às expectativas sociais.

 Deus usa mulheres como instrumentos da Sua obra

Ao longo da Bíblia, Deus levanta mulheres em posições de impacto:

  • Débora – juíza e líder de Israel (Juízes 4)

  • Ester – usada para salvar um povo inteiro

  • Maria (mãe de Jesus) escolhida para gerar o Salvador

➡️ Deus confia responsabilidades espirituais a mulheres

Ao longo de toda a Bíblia, Deus não apenas se relaciona com mulheres, mas confia a elas responsabilidades espirituais reais. Em um contexto histórico onde muitas vezes elas eram excluídas de posições de liderança, Deus rompe padrões e levanta mulheres para funções decisivas dentro do Seu plano. Ele não as trata como coadjuvantes, mas como participantes ativas da Sua obra.

Vemos isso claramente na vida de Débora, que julgava Israel e liderava o povo com autoridade espiritual. A Escritura diz:
“Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo.” (Juízes 4:4)
Também vemos isso em Ester, que assumiu uma posição de risco para salvar seu povo. Deus confia, direciona e sustenta mulheres em responsabilidades que impactam gerações.

➡️ Ele não limita propósito por gênero

Deus nunca estabeleceu o gênero como limite para propósito. O que define o chamado de alguém não é ser homem ou mulher, mas estar disponível para Deus. A lógica do Reino não segue os critérios humanos de exclusão, mas os princípios divinos de graça, escolha e propósito.

A Palavra reforça isso em Gálatas 3:28:
“Não há judeu nem grego, não há servo nem livre, não há homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus.”
Isso não apaga diferenças, mas revela igualdade em valor e acesso ao propósito. Diante de Deus, mulheres não são limitadas. Elas são chamadas, capacitadas e enviadas.


➡️ Ele levanta mulheres em momentos decisivos

Deus tem um padrão ao longo das Escrituras: Ele levanta pessoas no tempo certo para cumprir propósitos específicos, e isso inclui mulheres. Em momentos críticos, quando decisões precisam ser tomadas e caminhos precisam ser definidos, Deus chama mulheres para se posicionarem com coragem, fé e autoridade espiritual.

A fala de Ester revela isso de forma marcante:
“E quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” (Ester 4:14)
Deus posiciona mulheres estrategicamente na história. Ele as levanta quando necessário, as sustenta no processo e as usa como instrumentos de transformação. Nenhuma mulher está fora do tempo de Deus. Quando Ele chama, há um propósito maior sendo escrito.

Onde Deus quer agir, Ele levanta quem está disponível, inclusive mulheres.

Deus inclui mulheres no centro da redenção

Na genealogia de Jesus (Mateus 1), algo incomum acontece: mulheres são mencionadas.

Entre elas:

  • Rute

  • Raabe

Mulheres com histórias improváveis, algumas marcadas por dor, estrangeirismo ou passado difícil.

➡️ Deus não apaga histórias femininas

Ao longo da história, muitas narrativas femininas foram silenciadas, omitidas ou consideradas secundárias. No entanto, quando olhamos para a Bíblia, percebemos um movimento completamente diferente. Deus não apaga histórias de mulheres, mesmo quando elas carregam dor, passado difícil ou contextos improváveis. Pelo contrário, Ele faz questão de registrá-las e dar a elas um lugar na Sua história.

Em Mateus 1, na genealogia de Jesus, algo surpreendente acontece. Mulheres são mencionadas em um contexto onde, culturalmente, isso não era comum. Entre elas estão Rute e Raabe, mulheres com histórias marcadas por desafios e recomeços. Isso revela que Deus não tem compromisso com padrões humanos de perfeição, mas com a verdade da redenção. Ele não apaga histórias, Ele as redime.


➡️ Ele as insere no plano da redenção

Deus não apenas preserva histórias femininas, Ele as insere ativamente em Seu plano de redenção. Mulheres não estão à margem da obra de Deus, mas dentro dela, participando, contribuindo e sendo usadas como instrumentos do Seu propósito. Cada história, mesmo as mais improváveis, encontra lugar dentro do plano divino.

A trajetória de Rute mostra isso com clareza. Uma mulher estrangeira, viúva e sem perspectivas, que se torna parte da linhagem de Jesus. A Palavra diz:
“O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.” (Rute 1:16)
Esse posicionamento a insere em algo muito maior do que sua própria história. Deus transforma sua escolha em legado. Isso mostra que nenhuma mulher está fora do alcance do plano de Deus.


➡️ Ele transforma passado em propósito

Deus não ignora o passado, mas também não permite que ele seja o ponto final. Aquilo que poderia ser motivo de vergonha, limitação ou dor se torna, nas mãos de Deus, instrumento de propósito. Ele ressignifica histórias, cura memórias e transforma trajetórias.

A Bíblia afirma em Romanos 8:28:
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.”
Isso inclui histórias quebradas, decisões difíceis e caminhos inesperados. Deus não desperdiça nada. Quando Ele entra na história de uma mulher, até aquilo que parecia perdido ganha novo sentido. O passado deixa de ser prisão e passa a ser parte do testemunho.


Deus não escolhe mulheres perfeitas. Ele escreve histórias perfeitas através delas...

 Em Jesus, Deus revela Seu coração pelas mulheres

Jesus é a expressão perfeita de Deus, e Sua relação com as mulheres revela o coração do Pai.

Ele:

  • Conversa com a mulher samaritana

  • Defende a mulher adúltera

  • Aparece primeiro a Maria Madalena após ressuscitar

  • Cura a mulher do fluxo de sangue...

A história da mulher do fluxo de sangue aparece em Marcos 5:25-34, e começa revelando uma realidade de sofrimento prolongado. A Bíblia diz que ela padecia há doze anos, tendo gastado tudo o que possuía com médicos, sem obter melhora. Sua dor não era apenas física, mas também emocional, social e espiritual.

Segundo a lei da época, uma mulher com fluxo de sangue era considerada impura. Isso significava viver afastada, sem toque, sem convivência normal, sem acesso pleno à vida social e religiosa. Ela carregava não apenas uma enfermidade, mas um rótulo! 

Era uma mulher invisível, isolada e marcada pela rejeição.

Mesmo nesse cenário, algo dentro dela se move. A Bíblia diz:
“Porque dizia: Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei.” (Marcos 5:28)

Ela se aproxima em silêncio, no meio da multidão, com uma fé firme e íntima. Esse gesto é extremamente corajoso, porque, pela lei, ela nem deveria estar ali, tocando outras pessoas. Ainda assim, ela decide romper com o medo para alcançar Jesus.

Essa fé não era perfeita, mas era suficiente. Ela não tinha todas as respostas, mas tinha convicção. Em meio à dor, ela escolhe acreditar. E isso revela algo profundo: às vezes, a fé mais poderosa nasce nos lugares mais quebrados.

Quando ela toca em Jesus, algo imediato acontece. A Bíblia diz que ela sente em seu corpo que estava curada. Mas Jesus não deixa esse milagre passar despercebido. Ele para. Em meio à multidão, Ele pergunta quem o tocou. Não porque não soubesse, mas porque queria trazer aquela mulher do anonimato para o relacionamento.

Em Marcos 5:34, Ele declara:
“Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e fica livre do teu mal.”
Pela primeira vez, aquela mulher não é chamada de impura, nem definida pela doença. Ela é chamada de filha. Jesus não apenas cura o corpo, Ele restaura identidade, dignidade e pertencimento. O que era uma história de dor se torna um testemunho de encontro.

Essa mulher nos mostra que Jesus vê quem está escondido, responde à fé sincera e transforma completamente a história de quem se aproxima dEle. Ela chegou em silêncio, mas saiu conhecida. Chegou doente, mas saiu restaurada. Chegou excluída, mas saiu chamada de filha.

E isso fala diretamente ao coração de muitas mulheres. Nenhuma dor é invisível para Jesus. Nenhuma história está perdida. Quando alguém decide se aproximar, mesmo com medo, Ele responde com cura, presença e amor. Porque...

➡️ Jesus aproxima mulheres... 

Em um contexto cultural onde rabinos evitavam conversar publicamente com mulheres, Jesus faz exatamente o oposto. Ele se aproxima. Ele inicia diálogos. Ele cria pontes onde havia muros. O encontro com a mulher samaritana revela esse movimento de aproximação intencional. O texto diz:
“Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.” (João 4:7)

Esse simples pedido quebra barreiras sociais, étnicas e religiosas. Jesus não apenas fala com ela, mas revela a ela verdades profundas sobre adoração e identidade. Ele mostra que mulheres não estão fora do alcance da revelação espiritual. Aproximar-se era um ato de restauração de dignidade. Jesus não mantinha distância. Ele se fazia presente.

➡️ Jesus restaura mulheres....

Jesus não apenas se aproxima, Ele restaura. Muitas mulheres que cruzaram Seu caminho carregavam vergonha, exclusão e dor. A mulher acusada em João 8 foi exposta publicamente, usada como instrumento de julgamento. Mas Jesus muda a narrativa. Ele declara:

“Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.” (João 8:11)

Da mesma forma, a mulher que sofria com fluxo de sangue há doze anos é curada e chamada de filha. Em Lucas 8:48, Ele diz:
“Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.”
Jesus não apenas resolve o problema físico ou social. Ele devolve identidade. Ele chama pelo que ela é, não pelo que ela sofreu. Restaurar, para Jesus, é devolver lugar e valor.

➡️ Jesus confia em mulheres...

Em uma sociedade onde o testemunho feminino não tinha peso jurídico, Jesus faz algo profundamente significativo. Após a ressurreição, Ele aparece primeiro a uma mulher. A Escritura registra:

“Jesus disse-lhe: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni.” (João 20:16)

Ele confia a Maria Madalena a missão de anunciar a maior notícia da história. Em João 20:17, Ele diz que ela vá aos discípulos e anuncie o que viu. Jesus poderia ter escolhido qualquer outro caminho, mas escolheu confiar. Isso revela que, no Reino de Deus, mulheres não são apenas receptoras da graça, mas também portadoras da mensagem. Confiar é reconhecer capacidade e valor.

Se você quer entender como Deus vê as mulheres: olhe para Jesus!

🌷

Deus nunca quis mulheres à margem.

Ele as chama pelo nome,
as encontra no deserto,
as convida para perto,
e as inclui na Sua história.

Em um mundo que tenta calar, diminuir ou limitar, Deus faz o contrário:
Ele aproxima, levanta e envia.

Se existe uma verdade que ecoa por toda a Bíblia é essa:

Deus deseja mulheres perto dEle.

Perto da Sua presença.
Perto da Sua voz.
Perto do Seu propósito.

Você não foi criada para ficar distante.
Você foi chamada para estar perto.

E quanto mais perto de Deus,
mais você se torna quem Ele sempre sonhou que você fosse.

🌷

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Quando você se sente esquecida, Deus te chama de escolhida

Filha, Eu vejo você.

Eu vejo quando você se sente deixada de lado, quando parece que todos são escolhidos… menos você.
Eu vejo quando o seu coração se aperta ao pensar que talvez você não seja suficiente, que talvez haja algo errado com você.

Mas ouça a Minha voz acima de todas as outras:

Você nunca foi esquecida por Mim.

Antes mesmo de você nascer, Eu já te conhecia.
Antes de qualquer rejeição que você enfrentou, Eu já tinha te escolhido.

📖 “Antes que te formasse no ventre, eu te conheci; e antes que saísses da madre, te santifiquei.” (Jeremias 1:5)

Você não é um erro.
Você não é um acidente.
E muito menos uma “bastarda”.

Essa não é a identidade que Eu te dei.

📖 “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus.” (1 João 3:1)

Você é filha.
Filha amada.
Filha desejada.
Filha escolhida.

Mesmo quando pessoas não te escolheram, Eu te escolhi todos os dias.

📖 “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós.” (João 15:16)

Eu sei que dói.
Dói não ser vista.
Dói não ser prioridade.
Dói sentir que sempre há alguém “melhor” no seu lugar.

Mas Eu não te comparo com ninguém.

Eu te formei única.
Eu te desenhei com propósito.
E há lugares que só você pode ocupar.

📖 “Tu és preciosa aos meus olhos, digna de honra, e eu te amo.” (Isaías 43:4)

Quando você se sentir sozinha, lembre-se:

Você nunca esteve sozinha.
Eu estive com você em cada lágrima silenciosa.
Em cada noite em que você se sentiu invisível.
Em cada pensamento que dizia que você não era suficiente.

E hoje Eu te digo:

Você é mais do que suficiente para Mim.

Não baseie seu valor em quem não te escolheu.
Baseie sua identidade em Quem te criou.

Porque enquanto o mundo escolhe por aparência, status ou conveniência,
Eu escolho pelo coração.

📖 “O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.” (1 Samuel 16:7)

Você não precisa disputar amor.
Você já é profundamente amada.

Você não precisa provar valor.
Você já tem valor em Mim.

E o que Eu tenho preparado para você…
não será por acaso, nem por sobra 
será por propósito.

Então, levante a cabeça.

Você não é rejeitada.
Você é separada.

Você não é esquecida.
Você é guardada.

E no tempo certo, você entenderá:

Nunca foi sobre não ser escolhida…
foi sobre ser escolhida por Mim.

Com amor eterno,
Deus 🤍




sexta-feira, 3 de abril de 2015

Querida, rompe a multidão!

Assim como aquela mulher do fluxo de sangue, rompa a multidão...



A mulher sem nome


Há muito tempo atrás, existiu uma mulher dona de uma história emocionante e singular. Vejamos por que essa mulher tornou-se um exemplo de superação, de força, de perseverança e de esperança. Em primeiro lugar, ela era MULHER, não que isto seja algum problema, não seria para mim e nem para você, mas quero lhe dizer como vivia uma mulher naquela época.

Na época em que viveu o nosso Jesus, as mulheres eram tratadas severamente, não se sabe a razão para tanta hostilidade, tomamos como exemplo o referido fato: O fluxo de Sangue.

Sabemos que, todos os meses, normalmente a mulher passa pelo período menstrual, e durante esse período comum e corriqueiro, ela era obrigada a ficar sozinha e longe de parentes e amigos, de toda a sociedade. Mas, o que poderia se fazer a uma mulher que sofria de uma hemorragia a 12 anos? Será mesmo que essa norma se aplicaria em uma pessoa com tal doença? A resposta é sim. Até mesmo outros doentes como leprosos, também eram exilados e considerados impuros.

A Bíblia não nos diz o nome dela.

Sabemos o nome de reis, de discípulos, de governantes, de sacerdotes. Mas aquela mulher, cuja dor atravessou doze anos, permanece anônima.

Ela entra na história apenas como “a mulher que tinha um fluxo de sangue”.

Na sociedade em que viveu, isso não era apenas um problema físico. Era também uma condenação social e religiosa. A lei ritual da época considerava o fluxo de sangue uma condição de impureza. Isso significava que aquela mulher era vista como alguém que contaminava tudo o que tocava.

Ela não podia participar plenamente da vida comunitária.
Não podia viver a religião como os outros.
Não podia se aproximar livremente das pessoas.

Na prática, sua condição a empurrava para uma vida de isolamento.

O texto bíblico diz que ela sofria havia doze anos. Doze anos não são apenas um período médico. São anos de solidão, vergonha e desgaste. Ela havia procurado médicos, gastado tudo o que tinha e, ainda assim, continuava doente.

Mas talvez o sofrimento maior não fosse apenas o corpo.
Era a forma como a sociedade olhava para ela.

Porque rotular alguém como impuro também é uma forma de poder. É uma forma de controlar corpos e de definir quem pertence e quem deve ficar à margem.

Dizer que alguém é impuro não apenas descreve uma condição.
Isso organiza a exclusão.

Mantê-la afastada era conveniente.
Mantê-la invisível era eficaz.

Se ela permanecesse distante, ninguém precisaria confrontar sua dor.

 "Quando uma mulher tiver fluxo de sangue que sai do corpo, a impureza da sua mens­truação durará sete dias, e quem nela tocar ficará impuro até a tarde."
Levítico 15:19 
"Ou, quando tocar a imundícia de um homem, seja qualquer que for a sua imundícia, com que se faça imundo, e lhe for oculto, e o souber depois, será culpado"
Levítico 5:3 
Nota-se que, a mulher seria imensamente corajosa para sair de sua condenação perpétua. Coragem essa decorrente do fato de que além de estar com o fluxo de sangue, e por isso ter que estar afastada e ainda ser considerada imunda, ainda subsistia o fato de que ela tocaria ou apenas se aproximaria de alguém a sair de seu confinamento. Então vemos aí inicialmente duas situações impeditivas/proibitivas para ela, que a poderia ter levado a morte. A) Ela estava com o fluxo de sangue, deveria se excluir da sociedade (Lv 15:19); B) Ela poderia, ao sair se aproximar de alguém, assim sendo tornaria "imundo" assim como ela quem a tocasse. (Lv 5:3)
Vemos a condição inicial da mulher do fluxo de sangue. Condição de pessoa discriminada, que inferiorizava a mulher e a subjugava. Sem nenhum conhecimento, nem argumentos. Apenas por mero preconceito.

Preconceito, sim, tomamos como exemplo da condição feminina, uma outra mulher, esta era protagonista de uma das mais belas história de Jesus: A mulher samaritana (João 4:1–42).
Jesus não estava preocupado com os ditames preconceituosos de sua época. Ele veio pregar o amor, e veio para romper com preconceitos que limitavam Deus à apenas algumas pessoas. As mulheres ficavam à margem, mas Jesus sempre com amor, acolheu as mais carentes com frases de fraternidade, carinho e sobretudo o amor.
O judeus e os samaritanos se odiavam. Jesus era judeu e encontrou uma mulher samaritana, que além de sofrer preconceito pelos judeus, sofria preconceito por sua condição de mulher, e moralmente, visto que as própria mulheres de sua comunidade a excluíam e ela mesma sentia necessidade em estar longe, era considerada pecadora.

Quando ela encontrou Jesus, estava no poço para pegar água, não era uma hora propícia a este feito, as outras mulheres preferiam naquela hora estar em suas casas, então por isso a mulher sabia que não encontraria ninguém da sociedade, pois pegar água, assim como todos os afazeres domésticos eram exclusividade da mulher, portanto nem mulheres e muito menos homens ela iria encontrar.  
Diferentemente do que planejou, ela encontrou um judeu: Jesus. Não sabia ela que este, não fazia acepção de pessoas e nem tampouco descriminava. Ele a surpreendeu, tratando-a gentilmente, oferecendo a água da fonte da vida. Ofereceu o perdão e a vida eterna.

Assim podemos entender que Jesus jamais descriminaria ninguém por qualquer que seja suas diferenças. Ao falar com a mulher samaritana, Jesus correu risco de reprovação por parte dos judeus. Mas, ele não se importou, a alma daquela mulher era extremamente mais importante.

No tocante ao fato da mulher do fluxo de sangue, vemos que a mulher também se arriscou a sofrer essa rejeição por parte de Jesus. Mas, de alguma forma, não evidenciada na bíblia, ela sentiu o amor que Jesus propagava. Ela vivia isolada, não saberia ao certo muitas coisas de sua sociedade mas avistou a multidão e sabia que àquele seria seu último gesto de esperança e fé, ou sairia curada ou condenada a morte. Ela considerou em seu coração que bastava tocar na orla das vestes de Jesus que seria curada.
A fragilidade em que esta mulher se encontrava era outro fator impeditivo, para ela mesma, pois ela padecia dessa enfermidade a muito tempo. Enfrentou todo tipo de possibilidade de curas, mas jamais seria curada, visto que a medicina naquela época era regida por ervas e outros conhecimentos ineficazes, a prática da medicina era impossibilitada pelo fato de não ser possível o estudo em cadáveres, de acordo com a lei. A mulher do fluxo de sangue estava fraca, debilitada, fisicamente e psicologicamente.
Passamos ao texto bíblico que narra a história de nossa mulher corajosa.


“E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: - Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal”

 ( Mc 5:24 -34)

 Quero que perceba que antes mesmo de chegar a multidão que apertava Jesus, a mulher do fluxo de sangue teve que romper com muitos outros fatores, elas também faziam parte dessa multidão.
Listaremos aqui alguns dos elementos participantes dessa multidão que a separava de seu milagre.

A) A Lei que determinava a todas as mulheres que permanecessem afastadas da sociedade até o fim do período menstrual. Ela poderia não encontrar ninguém, e mesmo assim se saísse de sua condenação, já cometeria um grande erro contra a norma posta. - "Quando uma mulher tiver fluxo de sangue que sai do corpo, a impureza da sua mens­truação durará sete dias, e quem nela tocar ficará impuro até a tarde." Levítico 15:19 Ela precisaria de CORAGEM.

B) A sua fragilidade, devido a doença. Característica da própria hemorragia, deixar a pessoa debilitada. E a multidão de pessoas que cercava Jesus, era uma multidão de milhares de pessoas. Não centenas, mas milhares. Ela precisaria de FORÇA.

C) A barreira do medo. O medo da rejeição de Jesus ao saber que ela o teria tocado naquelas condições. O medo da repressão da sociedade. Mas, ela já estava morrendo, tocar em Jesus era a única e última esperança. E ela precisava de exatamente isso, de ESPERANÇA.

D) Ela mesma era uma barreira. Poderia a qualquer momento desistir e se colocar no seu lugar de subjugada. E assim anularia todos os itens anteriores e voltava a dedicar todos os seus dias a sua enfermidade e assim estava sentenciado a si mesma. Ela precisava de DETERMINAÇÃO e PERSEVERANÇA.

E) A condição que lhe foi imposta. O rótulo de "imunda" perante aquela sociedade. Ela poderia ter pensado: "Não sou digna de me aproximar dessas pessoas. Sou imunda!". O seu psicológico estava afetado e havia se tornado uma barreira contra ela. Ela precisava de ÂNIMO.

F) Se infringisse o item "A", ainda havia mais uma barreira que se relacionava com este item. Se ela tocasse em alguém, deixaria a pessoa imunda assim como ela. Então como passaria pela multidão? Sem prejudicar ninguém? Ela precisaria de FÉ.

Aquela mulher uniu CORAGEM, FORÇA, ESPERANÇA, DETERMINAÇÃO, PERSEVERANÇA, ÂNIMO e  FÉ. Rompeu a multidão de preconceitos, normas discriminadoras que destroem a condição da pessoa humana sem nenhum fim social, rompeu com seu medos, com sua dor, com sua fragilidade e com sua condição de inferiorizada. Ela passou por cima de rótulos, sabendo que aquele nome "imunda" não lhe pertencia. Ela rompeu com que ela era antes A MULHER DO FLUXO DE SANGUE, e passou a ser a mulher que tocou em Jesus.

"Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal”

Quando a exclusão vira violência

Por isso, a história dessa mulher não é apenas sobre doença.
Ela também é sobre violência social.

Nem toda violência deixa marcas visíveis.
Algumas são construídas lentamente, por normas, discursos e expectativas.

Quando uma pessoa é constantemente lembrada de que não pertence, de que é impura, de que deve ficar afastada, algo dentro dela começa a ser ferido.

É possível que, depois de tantos anos, aquela mulher tivesse começado a acreditar nisso.
Que sua presença realmente era um problema.
Que seu corpo era vergonhoso.
Que sua existência deveria permanecer escondida.

Essa é uma das formas mais profundas de violência:
quando alguém é levado a acreditar que sua própria dignidade é menor.


Mulheres que ainda vivem à margem

Por isso, essa história continua sendo tão atual.

Muitas mulheres, ainda hoje, vivem formas semelhantes de exclusão e violência. Algumas são silenciadas dentro de suas próprias casas. Outras são ensinadas desde cedo a aceitar relações abusivas, culpa excessiva ou vergonha sobre seus próprios corpos.

E, em alguns contextos religiosos, a dor pode se tornar ainda mais silenciosa.

Existem mulheres que sofrem violência doméstica e têm medo de falar.
Mulheres que são culpabilizadas por agressões que sofreram.
Mulheres que aprendem que precisam suportar em silêncio para parecerem “boas cristãs”.

A fé que deveria proteger acaba sendo usada, às vezes, para manter o silêncio.

Assim como aquela mulher foi mantida à distância, muitas mulheres hoje ainda são empurradas para a margem,emocional, social ou espiritual.

O gesto que rompe o sistema

Mas então acontece algo extraordinário na história.

Aquela mulher decide atravessar a multidão.

Ela faz algo que, pelas regras sociais da época, não deveria fazer. Aproxima-se e toca a roupa de Jesus Cristo.

Esse gesto é pequeno, quase invisível para quem observa de fora.
Mas, na verdade, ele rompe uma estrutura inteira de exclusão.

Porque alguém que passou anos sendo afastada decide, finalmente, se aproximar.

E o que acontece depois é ainda mais radical.

Jesus não a repreende.
Não a acusa.
Não a manda voltar para longe.

Ele para.

Ele pergunta quem o tocou.

E, quando ela aparece, tremendo, ele não a chama de impura. Não a reduz à sua doença.

Ele a chama de “filha”.

Em uma única palavra, ele devolve aquilo que a sociedade havia tirado dela: pertencimento.

O que essa história ainda nos diz

A mulher do fluxo de sangue não tinha nome registrado.
Mas sua história atravessou séculos.

Talvez porque ela represente tantas pessoas que foram empurradas para o silêncio.

Mulheres que foram ensinadas a se esconder.
Mulheres que foram tratadas como problema.
Mulheres que foram convencidas de que sua dor deveria permanecer invisível.

Mas o evangelho nos mostra algo diferente.

Ele mostra que Deus não reforça sistemas que humilham.
Ele interrompe esses sistemas.

E talvez seja exatamente isso que essa história continue dizendo hoje:

Nenhuma mulher foi criada para viver na margem.
Nenhuma dor deveria ser escondida para proteger aparências.
Nenhuma violência deveria ser silenciada em nome da religião.

A mulher sem nome tocou o manto e foi vista.

E, desde então, sua história continua lembrando ao mundo que a fé verdadeira não empurra pessoas para fora, ela as chama de volta para a dignidade.

  

Essa mulher não deixou seu nome na história. Ela deixou de ser conhecida como a mulher do fluxo de sangue, para ser a mulher que rompeu a multidão.

Quero deixar uma mensagem para todas as queridas mulheres do mundo. Rogo por todas vocês que tenham CORAGEM, FORÇA, ESPERANÇA, DETERMINAÇÃO, PERSEVERANÇA, ÂNIMO e  FÉ, sempre para romper com a multidão que te impede de ver a face de Jesus, que te impede de ver o seu milagre chegar. Saiba que você não está só, tem um Deus que te olha e te ver com amor e cuidado. Chame por Ele quando quiser.

Seja qual for a condição que lhe foi imposta, rompa com essas barreiras em prol de sua liberdade. Pois, não existe nada melhor do que viver e ser mulher, e sempre estar cada vez mais MULHER.
Beijos e abraços calorosos. E que a paz esteja com você! =)
Ilana D. M. Cunha Lima
Eu sou contra a violência em qualquer que sejam as suas formas...

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