sábado, 31 de janeiro de 2015

Te agradeço, Senhor, por me conhecer tão perfeitamente!

Houve um momento em minha vida, em que meu coração queria chegar desesperadamente em um determinado lugar. Mas, por mais que eu me esforçasse e lutasse por essa paixão, nada acontecia. Relutei durante anos em esquecer, mas por algum motivo, parecia que eu não tinha o domínio da situação. Situações que se resolveriam tão facilmente, não saíam do lugar por minha vontade. Até que HOJE, no dia 31 de janeiro percebi porque nada daquilo pôde ser diferente.
Depois de algum tempo agente entende...
Deus não permitiu tal acontecimento. Por amor a mim? Aos meus filhinhos? Talvez.. Mas certamente, porque Ele é fiel a sua palavra, e não a nós... Porque Deus conhece o nosso trajeto e o nosso futuro, ele ver além. Ele sonda os corações e conhece os nossos pensamentos.
Deus não está limitado a visão e imaginação humana.
Seus projetos são muito maiores e insondáveis. E Nós, não sabemos nem como será o nosso amanhã. Mas Ele, jamais deixará que os Seus planos pereçam.
Quando Deus escolhe alguém para Seus projetos. O caminhar deste será guiado por Deus.
Em algum momento da minha vida, isso que eu queria para mim não me faria bem, aliás, estou sendo sutil, isso me faria mal mesmo.
Então. Decidi que hoje darei um passo a mais. E a confiança em Deus aumentando, certa de que Deus só permitirá acontecer o melhor para mim. E o melhor para mim é a vontade dEle.

Para somar às minhas palavras...

"SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.
Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces.
Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim a tua mão.
Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir.
Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?
Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também.
Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.
Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim.
Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa;
Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.
Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.
E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles!"

Salmos 139:1-17

Tudo que Ele planejou para você acontecerá!

domingo, 11 de janeiro de 2015

A Lei, a Graça e os Dez Mandamentos: entendendo seu verdadeiro significado

Desde o princípio do mundo, a humanidade possui uma percepção moral básica. Todas as sociedades sabem, em alguma medida, que matar, adulterar, furtar, mentir ou desonrar pai e mãe são atitudes erradas. Essa consciência moral não surgiu apenas de códigos legais ou sistemas religiosos. Segundo o apóstolo Paulo, Deus colocou no coração humano uma percepção de sua lei desde o início da criação (Rm 1.19-20).



Inicialmente, esses princípios eram compreendidos como valores éticos universais, e não como um código jurídico estruturado. Mais tarde, porém, esses princípios foram formalizados por Deus na forma de lei e entregues ao povo de Israel por intermédio de Moisés.

Esse momento representa um marco na história bíblica. 

Deus revelou ao seu povo um conjunto de mandamentos que orientaria não apenas a vida espiritual, mas também a vida social e comunitária de Israel.

Para compreender esse processo, é importante lembrar que Deus se revela ao ser humano de duas maneiras: pela revelação geral e pela revelação especial.

A revelação geral é aquela que pode ser percebida por todas as pessoas através da criação. A própria natureza testemunha a existência de Deus. Como afirma o Salmo 19.1-4:
“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.”
Da mesma forma, o apóstolo Paulo explica que os atributos invisíveis de Deus seu poder eterno e sua divindade  podem ser percebidos através das coisas criadas (Rm 1.20). Por isso, segundo ele, ninguém pode alegar ignorância absoluta acerca da existência de Deus.
Já a revelação especial ocorre quando Deus comunica de forma direta e específica sua vontade, como fez por meio das Escrituras.
Foi nesse contexto que surgiram as tábuas da Lei, entregues a Moisés no Monte Sinai.

As tábuas da Lei


A Bíblia não fornece detalhes exatos sobre o tamanho das tábuas da lei, mas sabemos que eram duas placas de pedra destinadas a serem guardadas dentro da Arca da Aliança.
A arca media aproximadamente 1,10 m de comprimento por 66 cm de largura e 66 cm de altura (Êx 25.10). Considerando o espaço interno e os outros objetos guardados nela, como a vara de Arão que floresceu e um vaso contendo o maná (Hb 9.4), acredita-se que cada tábua deveria ter dimensões menores.

Essas tábuas continham cerca de 172 palavras, sendo, portanto, perfeitamente transportáveis por uma pessoa.

Segundo a tradição bíblica, os mandamentos foram escritos pelo próprio Deus (Êx 31.18; Êx 32.15-16). Essas tábuas representavam o registro formal da aliança entre Deus e Israel, semelhante aos tratados de suserania comuns no antigo Oriente Próximo.
De acordo com a narrativa bíblica, Moisés recebeu essas tábuas duas vezes (Êx 20; 31.18; 34). A primeira versão foi quebrada quando ele desceu do monte e encontrou o povo adorando o bezerro de ouro.
A Bíblia não explica diretamente como os mandamentos estavam distribuídos entre as duas tábuas.

Ao longo da história, diversos pensadores tentaram responder essa questão.
O filósofo judeu Fílon de Alexandria, o historiador Flávio Josefo e o teólogo cristão Irineu de Lião acreditavam que havia cinco mandamentos em cada tábua.
Já o reformador João Calvino sugeriu uma divisão diferente: quatro mandamentos na primeira tábua e seis na segunda.

Essa interpretação se tornou bastante influente na tradição reformada, pois faz distinção clara entre os deveres do ser humano para com Deus e os deveres para com o próximo.
Após quarenta dias no Monte Sinai, Moisés desceu com as tábuas da lei (Dt 9.11). No entanto, ao chegar ao acampamento, encontrou o povo envolvido em idolatria.
Os israelitas haviam construído um bezerro de ouro e estavam adorando essa imagem (Êx 32.7-9).

Esse episódio revela algo profundo sobre a natureza humana. Mesmo depois de testemunhar milagres extraordinários (como a libertação do Egito) o povo rapidamente abandonou o compromisso que havia assumido diante de Deus.

Pouco tempo antes, Israel havia declarado solenemente:
“Tudo o que o Senhor tem falado faremos e obedeceremos” (Êx 24.7).

No entanto, a realidade mostrou como o coração humano é inclinado ao pecado.
Apesar da rebelião do povo, Deus não abandonou Israel.
Após a intercessão de Moisés, o Senhor renovou a aliança e ordenou que novas tábuas fossem feitas (Êx 34.1; Dt 10.1).

Nessas novas tábuas foram escritas novamente as mesmas palavras que estavam nas primeiras (Êx 34.10,27).

Esse episódio revela algo essencial sobre o caráter de Deus: Ele é justo, mas também misericordioso. Mesmo diante da infidelidade humana, Deus permanece fiel à sua promessa.

Os Dez Mandamentos


A expressão “Dez Mandamentos” aparece poucas vezes na Bíblia. Em hebraico, a expressão usada é asseret hadevarim, que significa literalmente “dez palavras” (Êx 34.28; Dt 4.13; Dt 10.4).
Na tradução grega do Antigo Testamento, conhecida como Septuaginta, foi utilizado o termo dekalogos, origem da palavra decálogo.
Esses mandamentos são apresentados em Êxodo 20.1-17 e Deuteronômio 5.6-21.
Desde a antiguidade, os mandamentos são entendidos em dois grandes grupos:

1. Mandamentos teológicos
Relacionados à relação do ser humano com Deus.

2. Mandamentos éticos
Relacionados à relação do ser humano com o próximo.
O próprio Jesus Cristo resumiu esses princípios em dois grandes mandamentos:
Amar a Deus de todo o coração (Dt 6.5; Mt 22.37-38)
Amar o próximo como a si mesmo (Lv 19.18; Mt 22.39)

Os Dez Mandamentos possuem uma estrutura direta, categórica e absoluta.

Eles são formulados em linguagem clara, com frases curtas e memoráveis. Oito deles aparecem em forma negativa “não farás” expressando proibições sem exceção.
Dois aparecem em forma positiva:
Guardar o sábado
Honrar pai e mãe (Êx 20.8-12)
Essa estrutura facilitava a memorização e a transmissão oral, especialmente em contextos comunitários e litúrgicos (Dt 31.11).

A Lei e a Graça


Com o passar do tempo, a Lei revelou um problema profundo: ela mostrava o pecado humano, mas não possuía poder para transformá-lo.
O apóstolo Paulo afirma que a lei, gravada em pedras, fazia parte de um ministério transitório (2 Co 3.7-11). Ela revelava a vontade de Deus, mas também evidenciava a incapacidade humana de obedecer perfeitamente.
Por isso, a revelação plena veio por meio de Cristo.

Como afirma o evangelho:
“A lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1.17).
O próprio Jesus declarou que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la (Mt 5.17-18).
Ele foi o único ser humano que cumpriu perfeitamente todos os mandamentos.
Quando perguntaram a Jesus o que era necessário para realizar as obras de Deus, sua resposta não foi simplesmente guardar mandamentos externos.

Ele respondeu:
“A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou” (Jo 6.28-29).
Mais tarde, Jesus apresentou aquilo que chamou de novo mandamento:
“Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 13.34).
Esse amor não é apenas um sentimento, mas um princípio transformador que resume toda a lei.

O apóstolo João reforça esse ensino:
“O seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros” (1 Jo 3.23-24).

A tendência humana sempre foi tentar conquistar a salvação por esforço próprio. No entanto, o evangelho ensina algo diferente.

A Lei Moral de Deus é a expressão do Seu caráter, da Sua vontade e da Sua mente. Ela revela a totalidade da justiça divina e se manifesta nos dois grandes mandamentos ensinados por Jesus Cristo: o amor a Deus e o amor ao próximo (Mt 7:12; 22:36-40; Rm 13:8-10).
A salvação não é alcançada por méritos humanos ou pela observância perfeita da lei. Ela é um dom da graça de Deus.

Como afirma o apóstolo Paulo:
“Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).
A lei cumpriu seu papel ao revelar o pecado humano. Mas foi em Cristo que Deus revelou plenamente sua graça.

Hoje, a lei não está escrita apenas em tábuas de pedra. Ela é gravada no coração daqueles que foram transformados pela graça de Deus (2 Co 3.7-11).
E é nessa graça que encontramos a verdadeira liberdade.
Esses dois mandamentos apresentados por Cristo resumem os Dez Mandamentos, que por sua vez são desenvolvidos em todos os juízos e estatutos morais encontrados ao longo das Escrituras (Gn 26:5; Êx 15:26; Dt 4:1,2,6).

A Lei Moral foi proclamada por Deus no Monte Sinai (Êx 20:1-17) e escrita por Sua própria mão em duas tábuas de pedra (Êx 31:18; Êx 24:12; Dt 4:12-13; 5:4-7,22). Essa lei não surgiu apenas naquele momento da história. Ela já estava presente desde o princípio, sendo conhecida por Adão, Eva e pelos patriarcas (Os 6:7; Gn 4:7; Gn 26:5).
No Sinai, essa lei tornou-se a base do concerto entre Deus e o povo de Israel (Êx 24:4,7,8; Hb 9:19,20).

Deus exigiu de Israel, e continua exigindo de sua igreja, duas atitudes fundamentais diante de Suas ordenanças: ouvir e obedecer (Dt 11:26-27). Quando o povo responde dessa forma, torna-se propriedade peculiar de Deus, reino sacerdotal e povo santo (Êx 19:5-6).

Desde o princípio do mundo, a humanidade compreende que é imoral matar, adulterar, furtar, mentir ou desonrar os pais, pois Deus inscreveu Sua lei no coração e na mente de todos os seres humanos, conforme descrito em Romanos 1.19-20. Originalmente, esses eram princípios éticos e não um código formalizado, baseados na revelação geral  aquela que pode ser percebida por meio da natureza e da razão, testemunhando a existência de um Criador inteligente e poderoso. No entanto, essas verdades universais foram posteriormente organizadas em forma de lei e entregues a Israel por intermédio de Moisés como o Decálogo. Este evento marcou a transição para a revelação especial, onde Deus se comunica de forma específica através de Sua Palavra. As tábuas da lei, que continham 172 palavras e podiam ser transportadas por um homem, eram o documento oficial dessa aliança. Embora não saibamos o tamanho exato, estima-se que cabiam na arca junto à vara de Arão e ao maná. 

A tradição relata que o próprio Deus esculpiu as primeiras tábuas, cujas letras eram vazadas e visíveis de ambos os lados, mas estas foram quebradas por Moisés diante da rebelião do povo com o bezerro de ouro. Após o perdão divino, novas tábuas foram lavradas, reafirmando o compromisso de Israel com o Senhor.

A divisão desses mandamentos tem sido objeto de debate ao longo dos séculos. Enquanto autores antigos como Fílon de Alexandria e Flávio Josefo sugeriam cinco mandamentos em cada tábua, teólogos como Calvino propuseram uma divisão de quatro deveres para com Deus e seis para com o próximo, uma visão que ecoa na modernidade ao separar o politeísmo da idolatria. Independentemente da contagem, a forma dos Dez Mandamentos é absoluta e categórica, utilizando o termo hebraico lo (não) para estabelecer proibições que não admitem exceções ou relativismo moral. Essa lei é chamada indistintamente de "Lei do Senhor", pela sua origem divina, e "Lei de Moisés", por sua mediação humana, abrangendo preceitos morais, cerimoniais e civis que formam uma unidade indivisível. No contexto bíblico, a Lei de Deus refere-se a todo o Pentateuco e não apenas às tábuas de pedra. Tentar isolar o Decálogo do restante das ordenanças, como fazem alguns grupos ao enfatizar apenas a guarda do sábado, ignora que a lei é um sistema completo de 613 preceitos. 

Em última análise, a teologia cristã ensina que toda essa estrutura legal foi plenamente cumprida em Jesus Cristo, que sintetizou a essência da lei no amor a Deus e ao próximo, transformando o "ministério da condenação" em um caminho de graça e verdade.

A transição da Lei para a Graça marca a mudança de um ministério de condenação para um ministério de justiça e vida. O Senhor Jesus cumpriu integralmente o sistema mosaico, incluindo seus preceitos morais, cerimoniais e civis , revelando que o "ministério da morte", gravado em pedras, era transitório e preparatório. Como explica o apóstolo Paulo em 2 Coríntios 3, a glória que brilhava no rosto de Moisés estava destinada a desaparecer, servindo apenas como um prelúdio para a glória mui superior do Novo Concerto. Sob a Graça, a verdade moral não é descartada, mas restaurada e adaptada a uma nova função: ela não serve mais como um meio para alcançar a vida, mas como um reflexo da vida que já recebemos pelo Espírito. Enquanto a Lei expõe a doença do pecado sem oferecer a cura, o Evangelho traz o remédio definitivo para aqueles que perderam a esperança.

Historicamente, a Lei propunha um meio hipotético de salvação baseado na obediência perfeita: "faça e viva" (Lv 18.5). No entanto, a fragilidade humana tornou esse caminho impossível para todos, exceto para Cristo. O antigo sistema prometia bênçãos terrenas e vida física abundante para Israel, mas não tinha o poder de conferir a vida eterna ou a regeneração da alma, algo que só se consolidou com a revelação cristã. Por isso, o cristão não está debaixo do domínio da Lei, pois ela já cumpriu seu papel de "aio" ou guia até Cristo. A dinâmica agora é invertida: não trabalhamos para viver, mas trabalhamos porque já vivemos em Deus. A Graça nos liberta da letra que mata para nos sujeitar à lei do Espírito, onde a obediência nasce de um coração transformado e não de um código externo de punição.

Essa nova realidade se manifesta nos mandamentos de Cristo, que não são uma reedição do Decálogo, mas a expressão do amor operado pelo Espírito Santo. Quando questionado sobre as obras de Deus, Jesus não apontou para as tábuas de pedra, mas para a necessidade de crer nAquele que o Pai enviou. O "novo mandamento" é a lei do amor, que sintetiza toda a ética cristã e serve como a norma que orienta a família celestial. Ao contrário do esforço humano para merecer a salvação, o Evangelho nos convida a descansar na obra consumada de Jesus. Tentar misturar a Lei com a Graça é como colocar um remendo novo em veste velha; a verdadeira fé reconhece que a salvação é um dom gratuito de Deus, recebido exclusivamente pela fé, onde o mérito de Cristo substitui nossa incapacidade e nos declara plenamente justificados.

A experiência dos israelitas no monte Sinai, ao receberem a Lei de Deus por meio de Moisés, é um dos pilares da história bíblica. Conforme Êxodo 20.1-2, o fundamento dessa entrega não é o medo, mas a libertação: Deus primeiro resgata Seu povo da casa da servidão para, somente então, apresentar Suas palavras. O Antigo Testamento, nesse sentido, não é um registro meramente acadêmico; ele foi desenhado por Deus para dar vida às verdades do Novo Testamento, servindo como uma apresentação dramática da redenção. O livro do Êxodo, em sua essência, trata da atividade de Deus em suprir a solução para a degradação e o pecado humano.

A Lei entregue no Sinai é muito mais que um código de conduta; é uma imagem da santidade e do caráter inflexível de Deus. Ela revela que o Senhor é imutável e que Suas exigências morais refletem Sua própria personalidade irrevogável. Ao nos encontrarmos com o senhorio de Cristo, descobrimos que esse nível absoluto de retidão permanece o mesmo. A palavra hebraica Torah, frequentemente traduzida como "Lei", carrega o sentido de instrução, ensino e orientação. Embora o termo seja aplicado ao Pentateuco ou a todo o Antigo Testamento, ele se manifesta em 613 mandamentos (mitzvot) que regiam a teocracia de Israel. Naquele estado, não havia distinção entre o civil, o moral e o religioso; a classe sacerdotal conduzia a vida do povo sob a autoridade direta de Deus, o Rei invisível, cujo palácio era o Tabernáculo.

O esboço mestre dessa legislação é o Decálogo, ou as "Dez Palavras". Diferente de um simples conselho ético, os Dez Mandamentos funcionavam como a constituição de uma nação cujo rei era o próprio Senhor. Infringir um mandamento era, portanto, um crime contra o Estado Teocrático e uma traição contra o Governador Divino. Embora alguns segmentos tentem separar o Decálogo (como "Lei de Deus") das normas cerimoniais (como "Lei de Moisés"), a Bíblia sustenta que a Lei é uma unidade indivisível. O que existem são preceitos distintos morais, cerimoniais e civis, mas todos compõem a mesma "Lei do Senhor". Como afirma o Rev. Esequias Soares, a divisão tripartida é uma convenção teológica para estudo, pois na prática bíblica, um preceito cerimonial tem tanta autoridade de "lei" quanto um moral.

Dentro dessa estrutura, o sistema de sacrifícios e holocaustos ocupava um lugar central, servindo como um "tipo" ou sombra do que viria. O holocausto (olah), a oferta totalmente queimada, subia a Deus como um "cheiro suave", simbolizando a entrega total. Essa imagem encontra seu cumprimento perfeito em Efésios 5.2, onde Cristo se entrega como oferta e sacrifício de aroma agradável. Desde o Éden, com a morte de animais para vestir Adão e Eva, até o carneiro providenciado no lugar de Isaque, Deus estabeleceu que o perdão exigia o derramamento de sangue inocente. A Lei atuou como um "raio-x", expondo a real condição do pecado e a incapacidade humana de atingir a santidade por esforço próprio.

Não há, contudo, contradição entre a Lei e a Graça; ambas são instrumentos da fidelidade de Deus. A Lei cumpriu o papel de "aio" o tutor que guarda e disciplina a criança até que ela atinja a maioridade. Ela nos conduziu a Cristo, o único que cumpriu todos os 613 preceitos. Quando Jesus morreu no Calvário, Ele não apenas nos justificou perante a justiça divina, mas nos concedeu a Graça: o favor imerecido que envolve regeneração e o dom do Espírito Santo. Tentar retornar à observância da Lei para obter salvação, como Paulo advertiu aos Gálatas, é anular o sacrifício de Cristo. Se o homem tenta se salvar por um único ponto da Lei, torna-se devedor de toda ela. 

Hoje, a esperança cristã não repousa nas obras, mas na misericórdia de um Deus clemente. Em Jesus, toda a Lei foi cumprida, e agora vivemos não sob a letra que condena, mas sob a Graça que capacita e salva através da fé.

Conclusão: O Cumprimento da Promessa


A jornada do Sinai ao Calvário revela que a Lei e a Graça não são forças opostas, mas etapas complementares do plano redentor de Deus. A Lei, em sua natureza santa e inflexível, cumpriu o propósito vital de espelhar o caráter de Deus e diagnosticar a incapacidade humana. Ela funcionou como um "raio-x" espiritual, expondo a profundidade do pecado e a necessidade de um Salvador, atuando como o tutor (aio) que nos conduziu pela mão até a maioridade em Cristo.

Ao olharmos para o Pentateuco e os 613 mandamentos da Torá, compreendemos que Deus estabeleceu uma teocracia onde cada detalhe, do sacrifício de holocausto às normas civis, apontava para uma pureza que o homem, por esforço próprio, jamais alcançaria. O sistema de sacrifícios, com seu "cheiro suave", era um ensaio profético do sacrifício supremo de Jesus, o Cordeiro de Deus que não apenas cobriu, mas removeu o pecado do mundo.

A transição para a Graça não significa a abolição dos princípios morais de Deus, mas a sua interiorização. Enquanto a Lei foi escrita em pedras para um povo sob tutela, a Graça escreve a vontade de Deus no coração do crente através do Espírito Santo. Jesus não veio para revogar a Lei, mas para cumpri-la integralmente, satisfazendo as exigências da justiça divina que nós não poderíamos cumprir.

Viver sob a Graça, portanto, é reconhecer que a salvação é um favor imerecido, recebido exclusivamente pela fé. Tentar misturar a justiça das obras com a justiça da fé é anular a eficácia da cruz. Nossa esperança não reside na nossa capacidade de guardar preceitos, mas na perfeição dAquele que os guardou por nós. Hoje, livres da condenação, somos chamados a viver não por obrigação ao código, mas por amor ao Legislador, refletindo a santidade de Cristo em cada aspecto de nossa caminhada.