"Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz subir da terra do Egito; abre bem a tua boca, e eu a encherei." (Salmos 81:10)
Há um detalhe nesse versículo que muitas vezes passa despercebido.
Antes de Deus dizer: "Abre bem a tua boca", Ele lembra ao povo quem Ele é e de onde os tirou.
Primeiro vem a identidade.
Depois, a promessa.
Deus parece dizer:
"Lembre-se: você não é mais escravo."
O Egito ficou para trás.
Mas, muitas vezes, a escravidão continua dentro da mente.
É possível sair de um relacionamento abusivo e ainda acreditar que merece migalhas de afeto.
É possível sair de um ambiente tóxico e continuar esperando ser rejeitado.
É possível ser perdoado por Deus e ainda viver preso à culpa.
É possível ser amado e continuar agindo como quem precisa conquistar amor todos os dias.
Essa é a mentalidade do escravo.
O escravo aprende a sobreviver.
O filho aprende a confiar.
Por isso Deus faz um convite tão surpreendente:
"Abre bem a tua boca, e eu a encherei."
Não porque nossa fé obrigue Deus a agir, mas porque Ele deseja nos ensinar que Sua bondade é maior do que as marcas deixadas pela escravidão.
Talvez o maior limite que impomos ao agir de Deus não seja a falta de recursos, mas a dificuldade de acreditar que Sua vontade para nós é boa.
Às vezes oramos pequeno porque nossa história foi pequena.
Esperamos pouco porque recebemos pouco.
Aceitamos migalhas porque nunca conhecemos uma mesa farta.
Mas Deus não libertou Israel apenas para tirá-lo do Egito.
Ele o libertou para conduzi-lo a uma terra onde pudesse viver como povo livre.
Da mesma forma, Deus não nos chama apenas para deixar para trás aquilo que nos fazia sofrer. Ele também deseja renovar nossa maneira de pensar.
Quem foi liberto não precisa continuar vivendo como se ainda estivesse preso.
Talvez hoje Deus esteja dizendo ao seu coração:
"Pare de pensar como quem ainda vive no Egito. Confie em Mim. Abra o coração. Eu sou maior do que a sua história. Eu ainda posso fazer você experimentar aquilo que nunca conheceu."
Não limite Deus ao tamanho das suas experiências.
Aquele que liberta também transforma.
E Aquele que transforma também ensina Seus filhos a viverem como verdadeiramente livres. Viver a paz, o amor, o afeto, a tranquilidade...
Isso me lembra as palavras de Jesus em João 14:27:
"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou."
E também a promessa do Salmos 84:11:
"Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; não negará bem algum aos que andam retamente."
Esse versículo não promete que tudo acontecerá no tempo ou da forma que imaginamos. Mas revela o coração de Deus: Ele não tem prazer em privar Seus filhos do que é verdadeiramente bom.
Lembrei também de um detalhe de Salmos 81.
Deus não apenas tira Israel do Egito. Ele quer levá-lo para uma terra onde possa viver em segurança e abundância. A libertação nunca foi o destino final; era o começo de uma nova forma de viver.
"Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz subir da terra do Egito; abre bem a tua boca, e eu a encherei."Salmos 81:10
À primeira vista, parece uma promessa de prosperidade ou de receber "coisas grandiosas".
Mas, quando olhamos o contexto, percebemos algo ainda mais profundo...
O contexto é essencial
O salmo começa lembrando a libertação de Israel do Egito. Deus está falando ao povo da aliança e recordando tudo o que já havia feito por eles.
Em seguida, Ele diz:
"Abre bem a tua boca, e eu a encherei."
Logo depois, porém, vem uma tristeza:
"Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz..."
Ou seja, o problema nunca foi falta de poder em Deus, mas a resistência do povo em confiar e obedecer.
O que significa "abrir a boca"?
Existem algumas interpretações complementares.
1. Dependência completa de Deus
2. Ousadia para pedir
Também podemos entender como um convite para não fazer pedidos pequenos por medo ou incredulidade. Deus não é limitado pelos nossos recursos.
Mas há um detalhe importante: o convite vem dentro de um relacionamento de aliança e obediência. Não é uma autorização para pedir qualquer coisa segundo nossos desejos, mas para confiar que Deus supre plenamente aquilo que é bom e necessário.
Então esse versículo fala sobre aumentar a fé?
Eu diria que sim, indiretamente. Não porque a fé "obriga" Deus a fazer coisas grandes, mas porque Deus convida Seu povo a confiar na grandeza dEle.
A sequência lógica do texto é:
- "Eu sou o Senhor..."
- "Eu já os libertei."
- "Confiem em Mim."
- "Peçam sem medo."
- "Eu sou suficiente para suprir."
Perceba que a fé não nasce da nossa capacidade de acreditar muito, mas da lembrança de quem Deus é e do que Ele já fez.
Esse versículo pode ser um convite para você orar assim:
"Senhor, eu não quero limitar o Teu agir pela minha incredulidade. Quero abrir bem a minha boca, isto é, abrir o meu coração diante de Ti, pedir com confiança aquilo que está de acordo com a Tua vontade e descansar no fato de que Tu és poderoso para fazer infinitamente mais do que imagino."
Perceba a diferença entre duas posturas:
- Incredulidade: "Melhor nem pedir, talvez Deus não queira me dar."
- Fé bíblica: "Vou apresentar meu pedido com confiança, mas também confiar na sabedoria e na bondade de Deus quanto à resposta."
Algo que chama muita atenção
O versículo não começa com "peça".
Ele começa com:
"Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito."
Antes de Deus falar sobre o que fará no futuro, Ele lembra o que já fez no passado.
Esse é um princípio espiritual precioso: a memória da fidelidade de Deus fortalece a fé para o presente. A fé bíblica se alimenta do caráter de Deus, não apenas da expectativa de receber algo.
Que hoje sua oração seja:
"Senhor, ajuda-me a não limitar o Teu agir pela minha pequena visão. Ensina-me a confiar mais em quem Tu és do que no tamanho dos meus recursos ou das minhas circunstâncias."
Pois, esse tipo de confiança é exatamente o que vemos Deus cultivando em Seu povo ao longo das Escrituras.

