sábado, 8 de abril de 2017

A Plena Adoração

Muitas pessoas ainda compreendem a adoração a Deus de forma limitada, associando-a apenas ao momento de louvor, aos cânticos ou à música. No entanto, a Bíblia revela que a verdadeira adoração vai muito além disso. Ela não se restringe a um momento, a uma canção ou a uma expressão isolada ela envolve a totalidade do ser.



O salmista declara em Salmos 103:1: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.” Esse texto amplia completamente o conceito de adoração. Não se trata apenas de palavras cantadas, mas de uma convocação interior: tudo o que existe no ser humano deve se voltar para Deus.

Quando Davi fala à sua própria alma, ele aponta para uma adoração que nasce no interior, no coração, na consciência. Mas ele não para aí, ele acrescenta “tudo o que há em mim”. Isso nos leva a uma compreensão mais profunda: adorar não é apenas um ato espiritual isolado, mas uma entrega completa.

A Escritura apresenta o ser humano como uma unidade composta por corpo, alma e espírito, como vemos em I Tessalonicenses 5:23 e Hebreus 4:12. Essa constituição revela que a adoração plena envolve todas essas dimensões.

A alma, frequentemente mencionada ao longo da Bíblia, carrega significados profundos: vida, identidade, consciência, emoções. Textos como Salmos 42:1-2 e 107:9 mostram a alma como sedenta por Deus, desejosa de Sua presença. É na alma que se expressam os anseios mais profundos do ser humano.

O espírito, por sua vez, representa a conexão direta com Deus. Desde a criação, em Gênesis 2:7, vemos que o homem recebeu o fôlego de vida vindo do próprio Deus. Esse “fôlego” não é apenas biológico, mas espiritual. Em João 4:24, Jesus afirma que Deus é Espírito, e que aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e em verdade. Ou seja, a adoração verdadeira precisa nascer dessa conexão viva com Deus.

Já o corpo, muitas vezes negligenciado, também participa da adoração. A Bíblia está repleta de expressões físicas de adoração: levantar as mãos (Salmos 134:2), ajoelhar-se (Salmos 95:6), bater palmas (Salmos 47:1), dançar (Segundo Livro de Samuel 6:14). O corpo não é um mero instrumento externo, mas parte integrante da resposta do homem a Deus.

O próprio apóstolo Paulo reforça essa verdade em Romanos 12:1, ao afirmar que devemos apresentar o nosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional. Aqui, adoração deixa de ser um momento e passa a ser uma vida oferecida.

Dessa forma, a adoração verdadeira acontece quando corpo, alma e espírito estão alinhados diante de Deus. Quando cantamos, mas também sentimos. Quando expressamos, mas também nos rendemos. Quando nos movemos externamente, mas estamos completamente entregues internamente.

A Bíblia também alerta sobre o perigo de uma adoração vazia. Em Isaías 29:13, Deus reprova um povo que o honra com os lábios, mas tem o coração distante. Da mesma forma, em Amós 5:23-24, Ele rejeita cânticos que não são acompanhados por uma vida justa. Isso revela que Deus não se impressiona com a forma, mas com a verdade.

Adorar, portanto, não é encenar um momento espiritual, mas viver uma realidade espiritual.

Ao longo das Escrituras, vemos homens e mulheres que expressaram adoração de forma intensa e verdadeira. Jó, por exemplo, em meio à dor, se prostra e adora (Jó 1:20). Davi dança diante do Senhor com alegria e entrega (2 Samuel 6:14). Daniel se recusa a prestar qualquer tipo de adoração que não seja exclusivamente a Deus (Daniel 3:16-18). Esses exemplos mostram que adoração é posicionamento, é decisão, é entrega total.

Por isso, não existe um único formato externo que defina a adoração. Ela pode se expressar em cânticos, orações, silêncio, lágrimas, gestos ou palavras. O que define a adoração verdadeira é a integridade do coração e a totalidade da entrega.

A adoração também é pessoal. Cada pessoa se relaciona com Deus de maneira única. Isso nos lembra do episódio de Mical e Davi, em II Samuel 6:16-23, onde Davi é criticado por sua forma de adorar. No entanto, sua entrega era genuína diante de Deus. Isso nos ensina que não cabe ao homem julgar a intensidade da adoração do outro, mas sim examinar a própria.

Adorar a Deus é, acima de tudo, entregar-se por inteiro. É amar a Deus com todo o coração, alma, força e entendimento, como ensinado em Evangelho de Marcos 12:30.

Quando corpo, alma e espírito se alinham nesse propósito, a adoração deixa de ser um ato isolado e se torna um estilo de vida.

E é nesse lugar que a adoração deixa de ser apenas cantada… e passa a ser vivida.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A Palavra Genuína de Deus


Nessa postagem, não nos prolongaremos muito, pois para JESUS CRISTO fazer maravilhas, BASTA APENAS UMA PALAVRA... 

Assim como está escrito em Mateus 8:8 -"Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado." Mas, Jesus não quer apenas te dá o que você precisa, Ele quer entrar em tua vida, em tua casa e em teu coração para sempre. Acompanhe a leitura abaixo, e veja alguns dos milagres que Jesus realizou, e que ainda pode realizar em sua vida:



"Quando ele desceu do monte, grandes multidões o seguiram.
Um leproso, aproximando-se, adorou-o de joelhos e disse: "Senhor, se quiseres, podes purificar-me! "
Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: "Quero. Seja purificado! " Imediatamente ele foi purificado da lepra.
Em seguida Jesus lhe disse: "Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá mostrar-se ao sacerdote e apresente a oferta que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho".
Entrando Jesus em Cafarnaum, dirigiu-se a ele um centurião, pedindo-lhe ajuda.
E disse: "Senhor, meu servo está em casa, paralítico, em terrível sofrimento".

Jesus lhe disse: "Eu irei curá-lo".

Respondeu o centurião: "Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado.
Pois eu também sou homem sujeito à autoridade, com soldados sob o meu comando. Digo a um: ‘Vá’, e ele vai; e a outro: ‘Venha’, e ele vem. Digo a meu servo: ‘Faça isto’, e ele faz".
Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: "Digo-lhes a verdade: Não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé.
Eu lhes digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus.
Mas os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes".
Então Jesus disse ao centurião: 'Vá! Como você creu, assim lhe acontecerá!' Na mesma hora o seu servo foi curado.
Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra deste de cama, com febre.
Tomando-a pela mão, a febre a deixou, e ela se levantou e começou a servi-lo.
Ao anoitecer foram trazidos a ele muitos endemoninhados, e ele expulsou os espíritos com uma palavra e curou todos os doentes.
E assim se cumpriu o que fora dito pelo profeta Isaías: "Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças".
Quando Jesus viu a multidão ao seu redor, deu ordens para que atravessassem para o outro lado do mar.
Então, um mestre da lei aproximou-se e disse: 'Mestre, eu te seguirei por onde quer que fores'.
Jesus respondeu: 'As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça'.
Outro discípulo lhe disse: 'Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai'.
Mas Jesus lhe disse: 'Siga-me, e deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos'.
Entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram.
De repente, uma violenta tempestade abateu-se sobre o mar, de forma que as ondas inundavam o barco. Jesus, porém, dormia.
Os discípulos foram acordá-lo, clamando: 'Senhor, salva-nos! Vamos morrer!'
Ele perguntou: "Por que vocês estão com tanto medo, homens de pequena fé? 'Então ele se levantou e repreendeu os ventos e o mar, e fez-se completa bonança.
Os homens ficaram perplexos e perguntaram: 'Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?'"



Ainda no início do capítulo vemos Jesus realizando milagres com apenas uma ordem, uma palavra: "Quero!", e o leproso foi curado! No verso 8, acontece algo semelhante, um centurião cheio de fé se aproxima de Jesus e conta a situação que enfrenta, um servo seu estava doente, e ele acreditava que Jesus o podia curar, ele estava certo.
Duas coisas fizeram aquele centurião obter vitória:

1) A fé
2) A humildade

1) Ele teve fé tamanha que foi até Jesus, e falou: "Basta uma palavra Senhor, para que meu servo seja curado!", Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: "Digo-lhes a verdade: Não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé." (Mateus 8:10)
2) Ele foi humilde quando disse a Jesus: "Senhor não sou digno de ti, não sou digno que estejas em minha casa." A atitude daquele homem moveu o coração de Jesus:


"Então Jesus disse ao centurião: "Vá! Como você creu, assim lhe acontecerá! " Na mesma hora o seu servo foi curado."


Este milagre, não impediu Jesus de abençoar outras pessoas como podes ver no decorrer do capítulo, pois Ele não é limitado, Seu poder não tem fim. A sua crucificação, e seu sacrifício foi para salvar todo o mundo, foi para que todos conhecessem a Deus. A partir de Jesus, podemos ser salvos, ser curados, agraciados... Alguns de nós sofreram e sofrem perseguições, mas nada nos separará do amor de Deus. 
Muitos seguiam a Jesus por curiosidade, para obter alguma vantagem (milagres, outros achavam que ele era um forte político...), e outros seguiam a Jesus por amor, porque Ele era seu mestre. 
Aqueles que seguem a Jesus e pratica o que Ele ensinou, certamente estará com Ele no tempo vindouro, mesmo que aqui seja perseguido. Sabendo que Jesus foi crucificado sem reclamar, e amou seus perseguidores, difícil tarefa que Jesus nos ensinou, mas se quisermos a Deus, precisamos cumprir o que Jesus nos ensinou: ONDE ESTIVERMOS!

Pregue o AMOR!


"Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus,porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte.

Porque, aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, 

a fim de que as justas exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito. 
Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem, de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. 
A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; 
a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo. 
Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus. 
Entretanto, vocês não estão sob o domínio da carne, mas do Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. 
Mas se Cristo está em vocês, o corpo está morto por causa do pecado, mas o espírito está vivo por causa da justiça. 
E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vocês. 
Portanto, irmãos, estamos em dívida, não para com a carne, para vivermos sujeitos a ela. 
Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão; mas, se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão, 

porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 

Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: "Aba, Pai". 

O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus. 

Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória. 

Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada. 

A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados. 
Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança 
de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. 
Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. 
E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. 
Pois nessa esperança fomos salvos. Mas, esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo? 
Mas se esperamos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente. 
Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. 
E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus. 
Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. 
Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 
E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou. 

Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 

Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas? 

Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 

Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. 

Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? 
Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro". 
Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 
Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, 
nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." 

Que a paz do Senhor Jesus esteja convosco!!!

AMÉM.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Querida, rompe a multidão!

Assim como aquela mulher do fluxo de sangue, rompa a multidão...



A mulher sem nome


Há muito tempo atrás, existiu uma mulher dona de uma história emocionante e singular. Vejamos por que essa mulher tornou-se um exemplo de superação, de força, de perseverança e de esperança. Em primeiro lugar, ela era MULHER, não que isto seja algum problema, não seria para mim e nem para você, mas quero lhe dizer como vivia uma mulher naquela época.

Na época em que viveu o nosso Jesus, as mulheres eram tratadas severamente, não se sabe a razão para tanta hostilidade, tomamos como exemplo o referido fato: O fluxo de Sangue.

Sabemos que, todos os meses, normalmente a mulher passa pelo período menstrual, e durante esse período comum e corriqueiro, ela era obrigada a ficar sozinha e longe de parentes e amigos, de toda a sociedade. Mas, o que poderia se fazer a uma mulher que sofria de uma hemorragia a 12 anos? Será mesmo que essa norma se aplicaria em uma pessoa com tal doença? A resposta é sim. Até mesmo outros doentes como leprosos, também eram exilados e considerados impuros.

A Bíblia não nos diz o nome dela.

Sabemos o nome de reis, de discípulos, de governantes, de sacerdotes. Mas aquela mulher, cuja dor atravessou doze anos, permanece anônima.

Ela entra na história apenas como “a mulher que tinha um fluxo de sangue”.

Na sociedade em que viveu, isso não era apenas um problema físico. Era também uma condenação social e religiosa. A lei ritual da época considerava o fluxo de sangue uma condição de impureza. Isso significava que aquela mulher era vista como alguém que contaminava tudo o que tocava.

Ela não podia participar plenamente da vida comunitária.
Não podia viver a religião como os outros.
Não podia se aproximar livremente das pessoas.

Na prática, sua condição a empurrava para uma vida de isolamento.

O texto bíblico diz que ela sofria havia doze anos. Doze anos não são apenas um período médico. São anos de solidão, vergonha e desgaste. Ela havia procurado médicos, gastado tudo o que tinha e, ainda assim, continuava doente.

Mas talvez o sofrimento maior não fosse apenas o corpo.
Era a forma como a sociedade olhava para ela.

Porque rotular alguém como impuro também é uma forma de poder. É uma forma de controlar corpos e de definir quem pertence e quem deve ficar à margem.

Dizer que alguém é impuro não apenas descreve uma condição.
Isso organiza a exclusão.

Mantê-la afastada era conveniente.
Mantê-la invisível era eficaz.

Se ela permanecesse distante, ninguém precisaria confrontar sua dor.

 "Quando uma mulher tiver fluxo de sangue que sai do corpo, a impureza da sua mens­truação durará sete dias, e quem nela tocar ficará impuro até a tarde."
Levítico 15:19 
"Ou, quando tocar a imundícia de um homem, seja qualquer que for a sua imundícia, com que se faça imundo, e lhe for oculto, e o souber depois, será culpado"
Levítico 5:3 
Nota-se que, a mulher seria imensamente corajosa para sair de sua condenação perpétua. Coragem essa decorrente do fato de que além de estar com o fluxo de sangue, e por isso ter que estar afastada e ainda ser considerada imunda, ainda subsistia o fato de que ela tocaria ou apenas se aproximaria de alguém a sair de seu confinamento. Então vemos aí inicialmente duas situações impeditivas/proibitivas para ela, que a poderia ter levado a morte. A) Ela estava com o fluxo de sangue, deveria se excluir da sociedade (Lv 15:19); B) Ela poderia, ao sair se aproximar de alguém, assim sendo tornaria "imundo" assim como ela quem a tocasse. (Lv 5:3)
Vemos a condição inicial da mulher do fluxo de sangue. Condição de pessoa discriminada, que inferiorizava a mulher e a subjugava. Sem nenhum conhecimento, nem argumentos. Apenas por mero preconceito.

Preconceito, sim, tomamos como exemplo da condição feminina, uma outra mulher, esta era protagonista de uma das mais belas história de Jesus: A mulher samaritana (João 4:1–42).
Jesus não estava preocupado com os ditames preconceituosos de sua época. Ele veio pregar o amor, e veio para romper com preconceitos que limitavam Deus à apenas algumas pessoas. As mulheres ficavam à margem, mas Jesus sempre com amor, acolheu as mais carentes com frases de fraternidade, carinho e sobretudo o amor.
O judeus e os samaritanos se odiavam. Jesus era judeu e encontrou uma mulher samaritana, que além de sofrer preconceito pelos judeus, sofria preconceito por sua condição de mulher, e moralmente, visto que as própria mulheres de sua comunidade a excluíam e ela mesma sentia necessidade em estar longe, era considerada pecadora.

Quando ela encontrou Jesus, estava no poço para pegar água, não era uma hora propícia a este feito, as outras mulheres preferiam naquela hora estar em suas casas, então por isso a mulher sabia que não encontraria ninguém da sociedade, pois pegar água, assim como todos os afazeres domésticos eram exclusividade da mulher, portanto nem mulheres e muito menos homens ela iria encontrar.  
Diferentemente do que planejou, ela encontrou um judeu: Jesus. Não sabia ela que este, não fazia acepção de pessoas e nem tampouco descriminava. Ele a surpreendeu, tratando-a gentilmente, oferecendo a água da fonte da vida. Ofereceu o perdão e a vida eterna.

Assim podemos entender que Jesus jamais descriminaria ninguém por qualquer que seja suas diferenças. Ao falar com a mulher samaritana, Jesus correu risco de reprovação por parte dos judeus. Mas, ele não se importou, a alma daquela mulher era extremamente mais importante.

No tocante ao fato da mulher do fluxo de sangue, vemos que a mulher também se arriscou a sofrer essa rejeição por parte de Jesus. Mas, de alguma forma, não evidenciada na bíblia, ela sentiu o amor que Jesus propagava. Ela vivia isolada, não saberia ao certo muitas coisas de sua sociedade mas avistou a multidão e sabia que àquele seria seu último gesto de esperança e fé, ou sairia curada ou condenada a morte. Ela considerou em seu coração que bastava tocar na orla das vestes de Jesus que seria curada.
A fragilidade em que esta mulher se encontrava era outro fator impeditivo, para ela mesma, pois ela padecia dessa enfermidade a muito tempo. Enfrentou todo tipo de possibilidade de curas, mas jamais seria curada, visto que a medicina naquela época era regida por ervas e outros conhecimentos ineficazes, a prática da medicina era impossibilitada pelo fato de não ser possível o estudo em cadáveres, de acordo com a lei. A mulher do fluxo de sangue estava fraca, debilitada, fisicamente e psicologicamente.
Passamos ao texto bíblico que narra a história de nossa mulher corajosa.


“E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: - Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal”

 ( Mc 5:24 -34)

 Quero que perceba que antes mesmo de chegar a multidão que apertava Jesus, a mulher do fluxo de sangue teve que romper com muitos outros fatores, elas também faziam parte dessa multidão.
Listaremos aqui alguns dos elementos participantes dessa multidão que a separava de seu milagre.

A) A Lei que determinava a todas as mulheres que permanecessem afastadas da sociedade até o fim do período menstrual. Ela poderia não encontrar ninguém, e mesmo assim se saísse de sua condenação, já cometeria um grande erro contra a norma posta. - "Quando uma mulher tiver fluxo de sangue que sai do corpo, a impureza da sua mens­truação durará sete dias, e quem nela tocar ficará impuro até a tarde." Levítico 15:19 Ela precisaria de CORAGEM.

B) A sua fragilidade, devido a doença. Característica da própria hemorragia, deixar a pessoa debilitada. E a multidão de pessoas que cercava Jesus, era uma multidão de milhares de pessoas. Não centenas, mas milhares. Ela precisaria de FORÇA.

C) A barreira do medo. O medo da rejeição de Jesus ao saber que ela o teria tocado naquelas condições. O medo da repressão da sociedade. Mas, ela já estava morrendo, tocar em Jesus era a única e última esperança. E ela precisava de exatamente isso, de ESPERANÇA.

D) Ela mesma era uma barreira. Poderia a qualquer momento desistir e se colocar no seu lugar de subjugada. E assim anularia todos os itens anteriores e voltava a dedicar todos os seus dias a sua enfermidade e assim estava sentenciado a si mesma. Ela precisava de DETERMINAÇÃO e PERSEVERANÇA.

E) A condição que lhe foi imposta. O rótulo de "imunda" perante aquela sociedade. Ela poderia ter pensado: "Não sou digna de me aproximar dessas pessoas. Sou imunda!". O seu psicológico estava afetado e havia se tornado uma barreira contra ela. Ela precisava de ÂNIMO.

F) Se infringisse o item "A", ainda havia mais uma barreira que se relacionava com este item. Se ela tocasse em alguém, deixaria a pessoa imunda assim como ela. Então como passaria pela multidão? Sem prejudicar ninguém? Ela precisaria de FÉ.

Aquela mulher uniu CORAGEM, FORÇA, ESPERANÇA, DETERMINAÇÃO, PERSEVERANÇA, ÂNIMO e  FÉ. Rompeu a multidão de preconceitos, normas discriminadoras que destroem a condição da pessoa humana sem nenhum fim social, rompeu com seu medos, com sua dor, com sua fragilidade e com sua condição de inferiorizada. Ela passou por cima de rótulos, sabendo que aquele nome "imunda" não lhe pertencia. Ela rompeu com que ela era antes A MULHER DO FLUXO DE SANGUE, e passou a ser a mulher que tocou em Jesus.

"Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal”

Quando a exclusão vira violência

Por isso, a história dessa mulher não é apenas sobre doença.
Ela também é sobre violência social.

Nem toda violência deixa marcas visíveis.
Algumas são construídas lentamente, por normas, discursos e expectativas.

Quando uma pessoa é constantemente lembrada de que não pertence, de que é impura, de que deve ficar afastada, algo dentro dela começa a ser ferido.

É possível que, depois de tantos anos, aquela mulher tivesse começado a acreditar nisso.
Que sua presença realmente era um problema.
Que seu corpo era vergonhoso.
Que sua existência deveria permanecer escondida.

Essa é uma das formas mais profundas de violência:
quando alguém é levado a acreditar que sua própria dignidade é menor.


Mulheres que ainda vivem à margem

Por isso, essa história continua sendo tão atual.

Muitas mulheres, ainda hoje, vivem formas semelhantes de exclusão e violência. Algumas são silenciadas dentro de suas próprias casas. Outras são ensinadas desde cedo a aceitar relações abusivas, culpa excessiva ou vergonha sobre seus próprios corpos.

E, em alguns contextos religiosos, a dor pode se tornar ainda mais silenciosa.

Existem mulheres que sofrem violência doméstica e têm medo de falar.
Mulheres que são culpabilizadas por agressões que sofreram.
Mulheres que aprendem que precisam suportar em silêncio para parecerem “boas cristãs”.

A fé que deveria proteger acaba sendo usada, às vezes, para manter o silêncio.

Assim como aquela mulher foi mantida à distância, muitas mulheres hoje ainda são empurradas para a margem,emocional, social ou espiritual.

O gesto que rompe o sistema

Mas então acontece algo extraordinário na história.

Aquela mulher decide atravessar a multidão.

Ela faz algo que, pelas regras sociais da época, não deveria fazer. Aproxima-se e toca a roupa de Jesus Cristo.

Esse gesto é pequeno, quase invisível para quem observa de fora.
Mas, na verdade, ele rompe uma estrutura inteira de exclusão.

Porque alguém que passou anos sendo afastada decide, finalmente, se aproximar.

E o que acontece depois é ainda mais radical.

Jesus não a repreende.
Não a acusa.
Não a manda voltar para longe.

Ele para.

Ele pergunta quem o tocou.

E, quando ela aparece, tremendo, ele não a chama de impura. Não a reduz à sua doença.

Ele a chama de “filha”.

Em uma única palavra, ele devolve aquilo que a sociedade havia tirado dela: pertencimento.

O que essa história ainda nos diz

A mulher do fluxo de sangue não tinha nome registrado.
Mas sua história atravessou séculos.

Talvez porque ela represente tantas pessoas que foram empurradas para o silêncio.

Mulheres que foram ensinadas a se esconder.
Mulheres que foram tratadas como problema.
Mulheres que foram convencidas de que sua dor deveria permanecer invisível.

Mas o evangelho nos mostra algo diferente.

Ele mostra que Deus não reforça sistemas que humilham.
Ele interrompe esses sistemas.

E talvez seja exatamente isso que essa história continue dizendo hoje:

Nenhuma mulher foi criada para viver na margem.
Nenhuma dor deveria ser escondida para proteger aparências.
Nenhuma violência deveria ser silenciada em nome da religião.

A mulher sem nome tocou o manto e foi vista.

E, desde então, sua história continua lembrando ao mundo que a fé verdadeira não empurra pessoas para fora, ela as chama de volta para a dignidade.

  

Essa mulher não deixou seu nome na história. Ela deixou de ser conhecida como a mulher do fluxo de sangue, para ser a mulher que rompeu a multidão.

Quero deixar uma mensagem para todas as queridas mulheres do mundo. Rogo por todas vocês que tenham CORAGEM, FORÇA, ESPERANÇA, DETERMINAÇÃO, PERSEVERANÇA, ÂNIMO e  FÉ, sempre para romper com a multidão que te impede de ver a face de Jesus, que te impede de ver o seu milagre chegar. Saiba que você não está só, tem um Deus que te olha e te ver com amor e cuidado. Chame por Ele quando quiser.

Seja qual for a condição que lhe foi imposta, rompa com essas barreiras em prol de sua liberdade. Pois, não existe nada melhor do que viver e ser mulher, e sempre estar cada vez mais MULHER.
Beijos e abraços calorosos. E que a paz esteja com você! =)
Ilana D. M. Cunha Lima
Eu sou contra a violência em qualquer que sejam as suas formas...

Vítima, liberte-se! Procure ajuda. Ligue 180.
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